Polícia Federal caça autores de vídeos com ataques a mulheres no TikTok

Redação Plenário

Manifesto contra violência às mulheres. (© Tomaz Silva/Agência Brasil)

Trend incentiva agressões por rejeição amorosa; AGU aciona investigação e plataforma remove conteúdos por violação de regras

A Polícia Federal iniciou uma apuração sobre vídeos no TikTok que fazem apologia à violência de gênero. A corporação recebeu denúncias sobre uma “trend” onde homens encenam agressões físicas — como socos e facadas — contra mulheres que recusam aproximações românticas. A PF já pediu que a rede social guarde os dados dos perfis e apague as publicações.

A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a polícia na última segunda-feira (9). Segundo o órgão, quatro perfis deram origem ao material. Os responsáveis estão sob risco de punição por incitação ao feminicídio, ameaça e lesão corporal. Em nota oficial, o TikTok afirmou que os vídeos violam as diretrizes da comunidade e que a moderação trabalha para barrar novos conteúdos desse tipo.

O material circula com frequência em grupos da “machosfera”, compostos por comunidades conhecidas como redpills e incels. Nessas redes, homens que se dizem “injustiçados pela sociedade e pelas mulheres” propagam ódio e discriminação.

A força do discurso de ódio

A professora Eunice Guedes, da Universidade Federal do Pará e integrante da Articulação de Mulheres Brasileiras, pontua que o discurso misógino cresceu na última década. Para a especialista, o fenômeno ganhou espaço em mídias e setores com recursos financeiros.

“Mas ele não tinha tanta voz, tanto acesso às mídias corporativas, a recursos financeiros, a setores governamentais. E, de uns tempos para cá, talvez a gente poderia dizer de uns 10 anos para cá, isso tem se acirrado ainda mais”.

Guedes defende que o Brasil crie leis específicas para punir a misoginia. No entanto, ela alerta que a solução depende de uma mudança na cultura do país, além da aplicação das normas atuais.

“Que a sociedade se aproprie desse arcabouço jurídico, dessa situação e desse cenário. A sociedade e as suas diversas organizações. Não basta só a punição, a gente precisa pensar em prevenção, em mudança de paradigmas, em mudança de culturas, em mudança de concepções”.

Violência em números

A investigação ocorre em um momento crítico. Dados do Ministério da Justiça indicam que o Brasil tem, em média, quatro feminicídios por dia.

Onde buscar ajuda e denunciar:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito e 24h).
  • WhatsApp: (61) 9610-0180.
  • E-mail: central180@mulheres.gov.br.
  • Delegacias: Unidades especializadas (DEAM) ou delegacias comuns.
  • Emergência: 190 (Polícia Militar) ou Disque 100 (Direitos Humanos).

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