Movimentações financeiras foram reportadas ao Coaf; ex-prefeito alega que valores referem-se a serviços de consultoria e nega irregularidades
Uma empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), foi alvo de comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter recebido R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos entre 2023 e 2024. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo g1.
A A&M Consultoria Ltda., criada por ACM Neto em dezembro de 2022, movimentou R$ 4,77 milhões entre junho de 2023 e maio de 2024. Desse total, cerca de 60% — R$ 2,89 milhões — vieram diretamente do Banco Master (de Daniel Vorcaro) e da Reag. Outro comunicado ao Coaf indica que, em um período anterior (março a junho de 2023), a empresa recebeu quase R$ 1 milhão, sendo 72% provenientes das mesmas instituições.
Defesa e contexto
Em nota oficial, ACM Neto afirmou que os contratos foram formais, com o devido recolhimento de impostos, e que os serviços de consultoria prestados envolveram análises da agenda político-econômica nacional. Ele ressaltou que, na época da contratação, não havia restrições que desabonassem as empresas citadas e reforçou que não há relação entre seus serviços e as investigações que recaem sobre o Master e a Reag.
“Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação.”
Investigação das empresas
Tanto o Banco Master quanto a Reag estão no centro de operações da Polícia Federal por suspeitas de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro:
- Banco Master: Alvo da Operação Compliance Zero, investigado por fraudes bilionárias.
- Reag Investimentos: Alvo da Operação Carbono Oculto, é suspeita de gerir fundos utilizados pela facção criminosa PCC para ocultar e lavar bilhões de reais. Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do seu braço operacional (a CBSF).
O relatório do Coaf destacou que a A&M Consultoria, que possui capital social de apenas R$ 2 mil, movimentou recursos expressivos, “acima de sua capacidade financeira declarada”. ACM Neto classificou o vazamento das informações como “seletivo e fragmentado”.