Uma menina de um ano de idade sofreu parada cardiorrespiratória enquanto recebia socorro médico emergencial em aeronave de resgate na Terra Indígena
Uma menina Yanomami de um ano morreu durante o voo de emergência entre a Terra Indígena e Boa Vista neste domingo. A equipe de saúde a bordo realizou manobras de reanimação após a paciente entrar em colapso respiratório pouco depois da decolagem na região do Surucucu.
O corpo da criança seguiu para o Instituto Médico Legal da capital roraimense para a realização de exames complementares de necropsia.
O quadro clínico da vítima indicava desidratação profunda decorrente de complicações severas de malária e desnutrição aguda.
Médicos do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Ye’kwana relataram que o estado de saúde da menina exigia cuidados intensivos imediatos em unidade hospitalar de alta complexidade. A logística de transporte aéreo enfrenta dificuldades devido às condições climáticas instáveis na floresta amazônica durante este período.
“Fizemos todos os procedimentos possíveis, mas a fragilidade do organismo da criança impediu a estabilização”, declarou Ricardo Amaral, médico socorrista responsável pelo atendimento na aeronave.
O profissional explicou que o atraso no diagnóstico inicial nas comunidades isoladas compromete a eficácia do tratamento emergencial. A assistência governamental mantém equipes permanentes na tentativa de conter o avanço de doenças infectocontagiosas entre os indígenas.
O Ministério da Saúde monitora o aumento de casos graves de malária em áreas afetadas pelo garimpo ilegal dentro do território protegido. Relatórios oficiais apontam que a contaminação da água e a degradação do solo impactam diretamente a segurança alimentar das famílias residentes.
O governo federal planeja o reforço das bases de proteção ambiental para garantir o acesso seguro de agentes de saúde às aldeias remotas.