Violência contra a população em situação de rua cresce no Brasil

Redação Plenário

População em situação de rua no Brasil. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais aponta subnotificação crônica e aumento de agressões na última década

O Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais divulgou dados sobre a realidade das agressões no país. O relatório aponta que o volume oficial de notificações representa apenas uma fração da realidade devido ao receio de discriminação institucional.

“Seja por medo, por desconfiança das instituições, por experiências anteriores de discriminação ou pelas dificuldades de acesso aos serviços públicos. Isso significa que os dados disponíveis refletem apenas a ‘ponta do iceberg’ de um problema muito mais amplo”, explicou o coordenador da pesquisa, André Luiz Freitas Dias.

Os registros indicam que os ataques físicos lideram as ocorrências nos espaços urbanos, seguidos por episódios de violência psicológica, negligência e abuso sexual. O perfil estatístico concentra a maior parte dos agravos contra homens pretos e pardos com idade entre 15 e 49 anos, embora os casos direcionados a mulheres e pessoas trans apresentem maiores índices de letalidade. Representantes de movimentos sociais associam o cenário à rejeição direcionada a indivíduos de baixa renda e cobram fiscalização sobre a conduta de agentes públicos.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que monitora a evolução dos índices por meio de plataformas federais e confirmou a tendência de alta nas estatísticas recentes.

A pasta federal lançou o programa Cidadania PopRua com o objetivo de articular serviços de acolhimento, suporte psicossocial e qualificação profissional. Especialistas recomendam a descentralização de investimentos para municípios do interior e a criação de mecanismos de monitoramento preditivo para tentar frear o ciclo de vulnerabilidade social.

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