Metas de vacinação contra o HPV Acre registra menores índices do país

Redação Plenário

Conjunto de vacinas apresentadas durante treinamento no curso Sala de Vacina, da MSD, ministrado em Rio Branco (AC). (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Efeitos psicológicos de estresse vacinal em 2017 geraram desinformação e reduziram coberturas no estado

O estado do Acre enfrenta dificuldades estruturais para alcançar os patamares nacionais de imunização de adolescentes. Os indicadores locais apontam um distanciamento da média do país devido aos reflexos de um episódio ocorrido há nove anos em Rio Branco.

Na ocasião, dezenas de jovens manifestaram sintomas como desmaios e cefaleia após a aplicação das doses, o que desencadeou ondas de boatos na internet sobre a segurança do produto. “Nós saímos de 14 para 127 casos notificados em 6 meses por um comportamento da massa, estimulada pelo que se veiculava na imprensa e pelo medo natural da população”, relembra a coordenadora estadual de imunizações, Renata Quiles.

Exames detalhados realizados pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo descartaram falhas nos lotes ou intoxicação biológica pelos componentes do imunizante. Os laudos médicos apontaram que os pacientes sofreram de crise psicogênica não epilética, uma reação física involuntária ao estresse decorrente do ato de vacinar.

Entidades médicas reforçam que os grupos contrários à vacinação instrumentalizaram o caso para disseminar o pânico entre os pais, sob alegações sem fundamento científico. A redução da presença dos estudantes nos postos de saúde comprometeu o combate ao vírus, associado ao surgimento de neoplasias graves no sistema reprodutor.

As autoridades de saúde do município de Porto Walter implementaram projetos culturais e pedagógicos em escolas locais para reverter a desconfiança da comunidade. Cursos de capacitação profissional em comunicação e farmacovigilância também servem para preparar as equipes no atendimento em áreas isoladas do interior.

O Ministério da Saúde mantém o acompanhamento contínuo de eventos adversos e ampliou o programa de resgate vacinal para jovens de até 19 anos. Especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações defendem a urgência das ações, visto que a proteção previne milhares de mortes anuais decorrentes do câncer de colo de útero no país.

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