Quase metade das cidades do Brasil perdeu superfície de água em mais de 40 anos

Redação Plenário

Um mapeamento inédito indica que 45% dos municípios brasileiros registraram uma extensão de recursos hídricos inferior à média histórica. (Foto: Defesa Civil - Amazonas)

Levantamento aponta redução na extensão de rios e lagos naturais em várias regiões

O território brasileiro registrou diminuição constante nos recursos hídricos superficiais ao longo das últimas quatro décadas. O mapeamento feito por imagens de satélite aponta que o país perdeu uma extensão hídrica expressiva em ecossistemas naturais desde meados da década de oitenta. O monitoramento mensal indica que as alterações climáticas e as modificações no uso do solo desestabilizaram o regime de cheias.

Os dados detalham que o Pantanal enfrenta a situação de maior gravidade entre os ecossistemas monitorados no território nacional. Os municípios localizados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram os índices mais elevados de redução absoluta de fluxos fluviais. Os pesquisadores associam o quadro atual aos reflexos de estiagens severas e incêndios que atingiram as pastagens nativas.

A evolução dos reservatórios artificiais seguiu uma trajetória inversa com aumento de ocupação em áreas de hidrelétricas e represas. Biomas como a Caatinga e o Cerrado concentram atualmente a maior parte de seus recursos hídricos em estruturas construídas pela ação humana. A dependência de reservatórios construídos contrasta com a perda de rios perenes que abastecem as comunidades locais.

A bacia hidrográfica da Amazônia apresentou indícios de elevação nos índices hídricos após ciclos sucessivos de estiagem severa. O resultado regional contribuiu para a estabilização temporária dos indicadores nacionais de captação de imagens no último ano. “Mesmo com sinais pontuais de recuperação, a situação ainda é preocupante no longo prazo”, afirma o coordenador técnico Juliano Schirmbeck.

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