Crise do leite leva produtores, Assembleia e governo a cobrar medidas urgentes em Rondônia
Audiência em Ariquemes debate calamidade pública, CPI e mudanças na cadeia produtiva
A grave crise enfrentada pela cadeia produtiva do leite em Rondônia foi debatida em audiência pública realizada em Ariquemes, reunindo produtores rurais, representantes de associações, técnicos, parlamentares estaduais e federais, além de integrantes do governo estadual. O encontro evidenciou o esgotamento econômico da atividade e a necessidade de ações estruturais para evitar o colapso do setor.

A audiência foi proposta pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alex Redano (Republicanos), em conjunto com a deputada Cláudia de Jesus (PT). Segundo Redano, a iniciativa surgiu após relatos diretos de produtores durante visitas a municípios da região, que apontaram prejuízos contínuos e dificuldades para manter a atividade.

“Fui procurado por produtores que relataram a dificuldade enfrentada com o preço do leite. Foi a partir desse compromisso que decidimos promover essas audiências públicas”, afirmou Alex Redano, deputado estadual e presidente da Assembleia.
Durante o debate, produtores e técnicos apresentaram um diagnóstico da cadeia produtiva, apontando que, apesar do crescimento da produção em Rondônia, os custos operacionais superam o valor pago pelo litro do leite. Insumos, investimentos em genética, energia e mão de obra pressionam as contas, enquanto a falta de previsibilidade de preços e prazos de pagamento inviabiliza o planejamento financeiro.

Foi destacado que o produtor, responsável pelos maiores riscos da atividade, permanece com a menor parcela do valor agregado, enquanto a cadeia envolve diversos intermediários entre a produção e o consumidor final. A concorrência com produtos importados, como leite em pó e derivados, também contribui para a queda dos preços pagos ao produtor.
Diante do cenário, representantes do setor defenderam o reconhecimento da situação de calamidade econômica da cadeia do leite, como forma de permitir medidas excepcionais de apoio. A proposta foi acolhida simbolicamente pelos produtores presentes, que relataram risco de abandono da atividade e impactos diretos sobre a economia dos municípios.

O secretário de Estado da Agricultura, Luiz Paulo, apresentou ações já em andamento, como fornecimento de calcário, programas de melhoramento genético, distribuição de tanques de resfriamento e investimentos em energia. Ele anunciou a reativação da Câmara Setorial do Leite como espaço institucional para acompanhamento das políticas públicas e diálogo com os produtores.

Já o secretário de Estado de Finanças, Luís Fernando, abordou os impactos tributários e a concorrência com importações. Segundo ele, o debate não envolve tabelamento de preços, mas a construção de relações mais equilibradas na cadeia produtiva. O secretário afirmou que alternativas como barreiras tarifárias podem ser mais eficazes do que proibições, permitindo arrecadação e direcionamento de recursos ao setor.


Os deputados Pedro Fernandes e Cláudia de Jesus defenderam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar a análise da cadeia produtiva do leite. Para Cláudia de Jesus, a crise vai além do aspecto econômico e atinge diretamente a renda das famílias e a sustentabilidade dos municípios produtores.

Ao final da audiência, houve consenso de que a crise do leite em Rondônia é estrutural e exige ações coordenadas envolvendo mercado, tributação, fiscalização e políticas públicas permanentes. Entre os encaminhamentos definidos estão a possibilidade de decreto de calamidade pública do setor, a instauração da CPI do Leite e a criação de uma comissão parlamentar especial para acompanhar o tema.
A audiência pública foi transmitida ao vivo e pode ser assistida na íntegra pelo vídeo abaixo: