Relatório do Unicef alerta para riscos climáticos contra crianças

Redação Plenário

No Brasil, as ameaças decorrentes de eventos extremos e poluição do ar atingem milhões de jovens e pressionam os serviços públicos. (© Fernando Frazão/Agência Brasil)

Estudo indica que mais de um bilhão de menores sofrem múltiplas ameaças ambientais no mundo

O Fundo das Nações Unidas para a Infância lançou o Relatório de Risco Climático das Crianças 2026 com dados sobre o impacto ambiental na população jovem mundial. O documento aponta que quase metade dos menores de dezoito anos convive com múltiplas ameaças simultâneas que comprometem o desenvolvimento básico.

O mapeamento internacional considerou a incidência de fenômenos severos como secas prolongadas, calor extremo, queimadas e inundações costeiras.

As estatísticas nacionais revelam que trinta milhões de crianças e adolescentes no Brasil enfrentam duas ou mais adversidades provocadas pelas mudanças no clima. A combinação entre estiagem severa e elevação extrema das temperaturas configura o cenário de maior recorrência nas áreas habitadas por essa população. De acordo com o texto, a poluição atmosférica também alcança a quase totalidade dos jovens residentes em território brasileiro.

O levantamento detalha a vulnerabilidade geográfica em áreas severamente afetadas no continente africano e em países asiáticos como Bangladesh e Paquistão. Os pesquisadores também identificaram prejuízos decorrentes da propagação de enfermidades endêmicas sensíveis às variações de temperatura, como a malária. A diretora executiva da instituição, Catherine Russell, afirmou que a integridade física e o cotidiano escolar sofrem desestabilização contínua com a recorrência desses desastres.

A entidade internacional apresentou recomendações estruturais voltadas aos governos para mitigar os efeitos da crise sobre os sistemas públicos de ensino e saúde. O plano sugere o financiamento de mecanismos de alerta precoce e a adaptação inclusiva dos serviços de saneamento básico para proteção social. O relatório defende a inclusão de políticas específicas para a infância nos planos de governança de riscos e a transição para matrizes energéticas limpas.

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