Ação conjunta investiga lavagem de dinheiro, peculato e fraude em licitações públicas.
A Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público de Rondônia (MPE RO), cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 19 ordens de busca e apreensão na Assembleia Legislativa de Rondônia durante a operação Reduto, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (09).
A Justiça estadual determinou a suspensão do exercício da função pública de 11 servidores e o confisco de contas bancárias e moedas digitais dos suspeitos.
A investigação penal começou há dois anos com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras sobre transações bancárias de uma prestadora de serviços de Manaus (AM).
Os investigadores constataram a existência de um grupo estruturado para fraudar concorrências públicas na Prefeitura de Ariquemes e desviar vencimentos de assessores parlamentares em Porto Velho.
As movimentações financeiras analisadas pela corporação ultrapassam o montante de R$ 9 milhões e apresentam total incompatibilidade com os rendimentos declarados pelos envolvidos. Durante buscas a PF localizou cerca de R$ 900 mil em espécie, joias e relógios.
As ordens judiciais executadas nos três municípios visam recolher novos elementos informativos para complementar o acervo de provas do inquérito policial.

O OUTRO LADO
A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia declarou que acompanha o cumprimento das ordens judiciais emitidas nesta quinta-feira. O Poder Legislativo estadual assegurou total colaboração com os investigadores da Polícia Federal e com a Controladoria-Geral da União para elucidar as suspeitas de desvio de recursos públicos.
A nota oficial do parlamento defende o cumprimento do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa dos servidores citados no inquérito policial. A administração da Casa informou também que as licitações passam por auditorias e rotinas rígidas de fiscalização interna antes da homologação final dos contratos.
Segundo a nota, os atos administrativos e os gastos com fornecedores permanecem acessíveis para consulta pública na página oficial de transparência da instituição. A direção do órgão reiterou a confiança nas instituições de controle externo e o compromisso com a preservação do erário e com o interesse da população.
A EMPRESA
O principal alvo logístico da operação da PF reside em Manaus, onde agentes federais vistoriaram o endereço do sócio-administrador da Millennium Locadora. Na residência do empresário Ivair Ferreira, localizada em um condomínio na zona oeste da capital do Amazonas, a equipe policial apreendeu mais de R$ 815 mil em espécie e uma coleção de relógios de luxo.
A firma em questão possui contratos para o fornecimento de ambulâncias na municipalidade de Ariquemes.
O histórico da prestadora de serviços no estado registra outros questionamentos por parte dos órgãos de fiscalização orçamentária. O Tribunal de Contas de Rondônia barrou anteriormente vínculos da mesma empresa com o Departamento de Estradas de Rodagem devido a indícios de sobrepreço em um pregão eletrônico.
Os auditores estimaram, na ocasião, um risco potencial de prejuízo de até R$ 225 milhões aos cofres públicos rondonienses. Ivair Ferreira não foi localizado pela reportagem.