Dados do IBGE mostram diferenças no acesso a saneamento, internet e serviços básicos, além de maior tempo de deslocamento até o trabalho
Pessoas com deficiência vivem em domicílios com menor acesso a serviços de saneamento e internet do que aquelas sem deficiência, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O acesso conjunto a abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo alcança 56,6% dos domicílios onde vivem pessoas com deficiência, ante 60,2% entre as moradias ocupadas apenas por pessoas sem deficiência.
A diferença aumenta no acesso à internet. O serviço está disponível em 78,9% dos domicílios com moradores com deficiência, enquanto chega a 90,2% daqueles onde residem apenas pessoas sem deficiência. A presença de máquina de lavar também varia entre os dois grupos: 60,4% contra 68,9%, respectivamente.
O levantamento identificou diferenças no deslocamento até o trabalho. Pessoas com deficiência gastam, em média, 37 minutos no percurso, contra 33 minutos entre trabalhadores sem deficiência. Ônibus ou BRT são utilizados por 24,7% das pessoas com deficiência, enquanto 23,7% fazem o trajeto a pé e 7,8% usam bicicleta.
Os dados também mostram redução da presença de pessoas com deficiência entre os eleitos no país. O número passou de 578 nas eleições municipais de 2020 para 415 em 2024. “A gente vê uma piora na representação das pessoas com deficiência, com diminuição de candidaturas e de pessoas eleitas”, afirmou o pesquisador do IBGE Leonardo Queiroz Athias.