Religiões de matriz africana cobram espaço nas eleições de 2026

Redação Plenário

Representantes de religiões de matriz africana afirmam que suas pautas recebem pouco espaço nas campanhas eleitorais de 2026. (Foto: © Eric Ty Odé/Divulgação)

Religiosos e pesquisadores relatam baixa representação nas campanhas e apontam o combate à intolerância entre as pautas do segmento

Praticantes, religiosos e pesquisadores ligados às religiões de matriz africana afirmam que o segmento recebe pouco espaço nas campanhas das eleições de 2026. Entre as pautas citadas estão representação política, liberdade religiosa e combate à intolerância.

O Censo 2022 do IBGE identificou crescimento do grupo formado por Umbanda, Candomblé e outras religiões afro-brasileiras em relação ao levantamento de 2010.

A advogada e umbandista Lívia dos Santos relaciona a baixa representação ao histórico de preconceito contra essas religiões. “É muito difícil a gente, que é de religião de matriz africana, se ver representado pelos políticos.” Para ela, a marginalização dessas práticas religiosas ainda interfere na forma como seus integrantes ocupam espaços públicos e políticos.

O pai de santo e pesquisador Leonardo Vieira, do Grupo de Pesquisas sobre Povos de Terreiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), também contesta a percepção de que essas comunidades teriam pouca organização política. “Essa organização política começa dentro dos terreiros nas suas relações comunitárias e coletivas de organização, economia, de saúde, de educação, de tecnologia, e que é uma forma de fazer política diferente.”

O debate também envolve casos de intolerância religiosa. A legislação brasileira pune condutas contra cultos e manifestações religiosas e também tipifica a prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito por religião. O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive relacionadas à liberdade religiosa, e mantém registros atualizados até 2026.

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