Plano de governo prevê 228 ações, mas dados do TCE apontam restrições fiscais, despesas com pessoal e compromissos previdenciários que podem limitar os investimentos até 2030
O governador eleito de Rondônia, Marcos Rogério (PL), terá como desafio transformar as 228 propostas de seu plano de governo em ações entre 2027 e 2030.
O principal obstáculo está nas contas públicas. Segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO), pessoal e custeio consumiram 91% das despesas estaduais em 2025, enquanto os investimentos representaram 7,29%, cerca de R$ 1,29 bilhão.
Para 2027, a margem prevista para criar despesas permanentes é zero, o que exige compensação financeira para novas contratações, aumentos salariais e programas continuados.
Na prática, medidas como revisão de contratos, redução de despesas administrativas, digitalização de serviços e reorganização das filas de atendimento podem começar no primeiro ano de mandato.
Já a promessa de eliminar filas de exames, consultas e cirurgias em 180 dias enfrenta limitações de orçamento, profissionais e capacidade hospitalar.
O TCE aponta problemas na gestão da saúde e necessidade frequente de recursos adicionais para manter os serviços. Construir hospitais e ampliar leitos também exige dinheiro para obras, equipamentos e funcionamento.
Governo Marcos Rogério terá de escolher prioridades para investir
Na infraestrutura, a recuperação de estradas existentes apresenta maior viabilidade do que a construção de rodovias, pontes e corredores logísticos. O programa de pavimentação previsto por Marcos Rogério depende de recursos estaduais, emendas parlamentares e transferências federais.
Na segurança e na educação, a compra de equipamentos, a capacitação e a reorganização administrativa podem avançar por etapas. Concursos públicos, reajustes e expansão permanente das equipes serão mais difíceis porque aumentam as despesas obrigatórias.
O cenário econômico também exige cautela. O TCE aponta uma dívida estadual de R$ 5,73 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026 e um déficit atuarial previdenciário estimado em R$ 14,63 bilhões.
Ao mesmo tempo, Rondônia depende do agronegócio, das transferências federais e da arrecadação de ICMS, cuja distribuição passará por mudanças com a reforma tributária.
Como Marcos Rogério prometeu não aumentar impostos, o financiamento das propostas dependerá de economia nas despesas, crescimento da receita, investimentos privados e recursos da União.
VEJAS AS PROPOSTAS DO PLANO DE GOVERNO DE MARCOS ROGÉRIO:
1. Saúde
- Construir um novo pronto-socorro em Porto Velho.
- Reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias, com meta de eliminar o passivo em 180 dias.
- Ampliar leitos hospitalares e regionalizar os atendimentos.
- Implantar carretas de saúde, telemedicina e programas de prevenção.
- Melhorar o sistema de regulação de pacientes.
2. Educação e inovação
- Melhorar a qualidade do ensino nas escolas estaduais.
- Investir na formação e valorização dos professores.
- Ampliar o uso de tecnologias na educação.
- Fortalecer o ensino técnico e a preparação dos estudantes para o mercado de trabalho.
3. Segurança pública
- Combater facções criminosas, tráfico de drogas e crimes nas fronteiras.
- Reforçar as polícias e ampliar a presença das forças de segurança.
- Investir em equipamentos, inteligência e tecnologia.
- Combater a violência contra mulheres e crianças.
- Reforçar a segurança nas propriedades rurais.
4. Desenvolvimento social
- Ampliar a assistência às famílias em situação de pobreza.
- Fortalecer programas de proteção à infância, às mulheres e aos idosos.
- Incentivar a qualificação profissional e a geração de renda.
- Ampliar políticas de inclusão para pessoas com deficiência.
5. Cultura, esporte e lazer
- Incentivar projetos esportivos para crianças e jovens.
- Apoiar atletas e competições.
- Promover atividades culturais nos municípios.
- Ampliar espaços para esporte, cultura e lazer.
6. Desenvolvimento econômico e agronegócio
- Facilitar a abertura e o funcionamento de empresas.
- Reduzir a burocracia e simplificar licenças.
- Fortalecer a Emater e a assistência aos produtores rurais.
- Ampliar o acesso ao crédito e apoiar cooperativas.
- Incentivar agroindústrias, comércio, serviços e turismo.
- Atrair investimentos e estimular a geração de empregos.
7. Infraestrutura e logística
- Implantar o programa Rotas do Desenvolvimento para ampliar a pavimentação.
- Recuperar rodovias estaduais e construir pontes.
- Criar alternativas de transporte para reduzir a dependência da BR-364.
- Desenvolver projetos de aeroportos, hidrovias e ferrovias.
- Criar a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog-RO).
8. Meio ambiente
- Simplificar e digitalizar processos de licenciamento ambiental.
- Incentivar a bioeconomia e atividades econômicas associadas à conservação.
- Fortalecer a regularização ambiental de propriedades.
- Conciliar produção agropecuária e proteção dos recursos naturais.
9. Desenvolvimento urbano e municípios
- Ampliar a regularização fundiária urbana e rural.
- Apoiar projetos de infraestrutura nos municípios.
- Buscar parcerias para obras e serviços públicos.
- Fortalecer a cooperação entre governo estadual e prefeituras.
10. Gestão pública e finanças
- Não criar impostos nem aumentar alíquotas estaduais.
- Revisar contratos, terceirizações, diárias e passagens.
- Reduzir desperdícios e despesas administrativas.
- Ampliar a capacidade de investimento do Estado.
- Criar mecanismos de acompanhamento de metas e resultados.
- Buscar recursos federais, emendas parlamentares e parcerias privadas.
- Valorizar os servidores públicos.


