Relatório da Repórteres Sem Fronteiras inclui presidentes dos Estados Unidos e da Argentina entre líderes acusados de pressionar jornalistas e veículos de comunicação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, foram incluídos em uma relação de autoridades e organizações acusadas de ameaçar a liberdade de imprensa.
O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (2) pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que classifica os citados como “predadores da imprensa”. A entidade atribui aos dois presidentes práticas que dificultam o trabalho de jornalistas e afetam a atuação dos veículos de comunicação.
Nos Estados Unidos, a RSF aponta que as medidas adotadas por Trump contra a imprensa passaram a envolver restrições ao acesso de profissionais da comunicação desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. O país perdeu sete posições no ranking mundial de liberdade de imprensa e ocupa o 64º lugar.
Na Argentina, a entidade responsabiliza Milei por ataques a jornalistas e empresas de comunicação que publicam críticas ao seu governo. Segundo a organização, o presidente argentino costuma acusar esses profissionais de corrupção, mentiras e manipulação política.
Liberdade de imprensa também sofre pressão de empresas e governos
A relação de 2026 inclui ainda o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko. A RSF também cita as Forças Armadas de Israel, o Partido Comunista Chinês e cartéis do narcotráfico mexicano por ações que, segundo a entidade, colocam em risco a segurança dos profissionais de imprensa.
O relatório aborda também a influência econômica sobre o jornalismo. A organização aponta a Alphabet, controladora do Google, e a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, entre as empresas que exercem pressão sobre a independência dos meios de comunicação.
O empresário Elon Musk permanece na relação por sua atuação na plataforma X, associada pela entidade à disseminação de desinformação e a ataques contra jornalistas. A edição deste ano também registra a retirada de nomes que deixaram de exercer posições de poder, entre eles Nicolás Maduro, da Venezuela, e Viktor Orbán, da Hungria.


