Unesco registra 189 jornalistas assassinados em dois anos

Redação Plenário

Atos de intimidação contra jornalistas envolvem assassinatos, agressão e sequestros. (Foto: © Unfccc/Kiara Worth - ONU)

Relatório aponta que 67% das mortes ocorreram em zonas de conflito e que 86% dos assassinatos registrados desde 2006 não tiveram solução judicial confirmada

Um relatório divulgado nesta segunda-feira (2) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) revela que 189 jornalistas foram assassinados no mundo entre 2024 e 2025.

O número é o maior desde 2014 e 2015, quando foram contabilizadas 215 mortes. Das vítimas identificadas no levantamento, 127 perderam a vida em países afetados por conflitos armados, o equivalente a 67% do total. O resultado representa aumento de 24% em relação ao biênio anterior.

O uso de drones aparece entre as causas das mortes, com 50 registros. Outros 36 profissionais morreram em ataques contra escritórios de veículos de comunicação ou instalações utilizadas pela imprensa.

Em pelo menos 15 casos, há indícios de que as vítimas foram atingidas mesmo com coletes ou veículos identificados como pertencentes à imprensa. A Palestina concentrou 62 assassinatos, cerca de um terço das ocorrências registradas no período.

Jornalistas assassinados e impunidade no mundo

A Unesco também identificou mortes de profissionais que investigavam política, criminalidade e corrupção. Foram 38 casos relacionados à cobertura política e 22 envolvendo reportagens sobre atividades criminosas.

No Brasil, o levantamento registra o assassinato do radialista Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, morto em maio de 2025 dentro do estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no Pará. Segundo a Polícia Civil, a investigação foi concluída e encaminhada à Justiça com quatro pessoas indiciadas.

Desde 2006, a Unesco contabilizou 1.641 assassinatos de jornalistas, dos quais apenas 223 tiveram solução judicial confirmada. Outros 1.013 casos permanecem sem solução, enquanto 321 não receberam resposta das autoridades consultadas.

A taxa de impunidade chegou a 86% em 2026, um ponto percentual acima do ano anterior. Em abril, o governo brasileiro lançou o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, apresentado à Unesco como uma das medidas para enfrentar a violência contra profissionais da comunicação.

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