Cinco fatores explicam derrota de Trump nas eleições dos EUA

Redação Plenário

Donald Trump presidente dos EUA. (Foto: Casa Branca)

Democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado após uma campanha marcada pela inflação, guerra contra o Irã e insatisfação com o governo republicano

O Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas realizadas nesta terça-feira (3), encerrando dois anos de maioria republicana no Congresso.

O resultado representa uma derrota política para o presidente Donald Trump, que terá de governar com a oposição no comando do Legislativo a partir de janeiro de 2027. O custo de vida, a guerra contra o Irã e a insatisfação com a condução do governo estiveram entre os principais fatores apontados por pesquisas eleitorais e análises da votação.

A inflação foi uma das preocupações dos americanos durante a campanha. Os preços acumularam alta de 3,7% até setembro, enquanto os combustíveis e a energia pressionaram as despesas familiares.

Segundo pesquisas citadas pela BBC, 79% dos eleitores relataram dificuldades provocadas pela inflação, e mais de 60% responsabilizaram as políticas de Trump pelo aumento dos preços. A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro pelos Estados Unidos e Israel, também influenciou o resultado. Em uma pesquisa eleitoral, 63% dos entrevistados consideraram equivocada a decisão de recorrer à ação militar.

Derrota de Trump nas eleições também reflete mudança entre eleitores

Os democratas concentraram suas campanhas no custo de vida, no acesso à saúde e em críticas à condução da administração federal. Candidatos do partido conquistaram vitórias em estados tradicionalmente associados aos republicanos, como Kansas, Texas e Carolina do Sul.

Na Geórgia, o senador Jon Ossoff garantiu a reeleição com uma campanha centrada em questões econômicas e denúncias de corrupção. O desempenho ocorreu em um cenário de queda na aprovação de Trump e de desgaste provocado pela política migratória e pelo conflito no Oriente Médio.

A votação também indicou mudanças no comportamento de grupos que haviam contribuído para a vitória republicana na eleição presidencial de 2024. Nos condados de maioria latina, houve deslocamento superior a 22 pontos percentuais contra candidatos republicanos ao Senado, segundo análise do jornal The New York Times citada pela BBC.

Áreas de maioria negra também registraram avanço democrata. Com o novo equilíbrio de forças, a oposição terá maior capacidade de fiscalizar o governo, conduzir investigações parlamentares e negociar a aprovação de propostas legislativas durante os dois últimos anos do mandato de Trump.

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