Ex-presidente foi afastado pelo Senado e colocado em prisão domiciliar após investigação sobre a quebra do banco Ueno, que afetou quase 3 milhões de clientes
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6), após o Senado aprovar seu impeachment por 44 votos.
A detenção ocorreu no âmbito das investigações sobre o colapso do banco Ueno, instituição financeira que mantinha recursos públicos e atendia quase 3 milhões de clientes. O Ministério Público determinou a prisão do ex-chefe de Estado por suspeita de lesão de confiança e outros crimes relacionados à administração dos recursos. Peña ficará em prisão domiciliar.
A ordem de detenção foi expedida pelos promotores Elena Fiore, Christian Benítez, Silvia González Véster e Ruth Karina Benítez, responsáveis pelo caso. As investigações apuram possíveis conflitos de interesse entre o ex-presidente, pessoas de seu círculo e empresas ligadas ao grupo Ueno. Peña declarou participação acionária na holding controladora do banco e vendeu suas ações em 2025. Parlamentares também questionam a atuação do Banco Central do Paraguai e a aplicação de recursos de instituições públicas na instituição financeira. O ex-presidente nega irregularidades.

A crise começou após a identificação de problemas financeiros no Ueno Bank, que teve suas operações interrompidas na terça-feira (3). A medida deixou clientes sem acesso a depósitos, cartões e transferências. O banco concentrava mais de US$ 800 milhões em recursos públicos, incluindo valores destinados à previdência social. As suspeitas envolvem empréstimos a empresas ligadas à instituição, falhas na fiscalização e possíveis irregularidades na administração do dinheiro. O Ministério Público também investiga dirigentes do banco e autoridades que participaram das decisões sobre os depósitos.
Com a destituição de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana, de 52 anos, assumiu a Presidência do Paraguai nesta sexta-feira. Filiado ao Partido Colorado, ele tomou posse no Congresso e deverá completar o mandato até agosto de 2028. Alliana prometeu devolver os recursos aos clientes que tiveram depósitos bloqueados após a quebra do Ueno. As autoridades financeiras iniciaram os procedimentos de ressarcimento, enquanto a investigação sobre o destino do dinheiro e a responsabilidade dos envolvidos prossegue


