Abuso policial amplia insegurança no país, aponta Human Rights Watch
Relatório indica quase 6 mil mortos por forças de segurança em 2025 e cobra mudança de estratégia
“O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos, só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco”, disse César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil. A avaliação consta do Relatório Mundial 2026, divulgado pela entidade, que critica o uso da força letal como política de segurança e aponta aumento da violência em vez de redução da criminalidade.
Segundo o relatório, entre janeiro e novembro de 2025, forças policiais mataram 5.920 pessoas no país, com risco três vezes e meia maior para brasileiros negros em comparação aos brancos. A HRW cita a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, como exemplo de ação com alto número de mortes e questiona a apuração dos casos. “Um dos problemas é a falta de independência da perícia para investigar mortes decorrentes de intervenção policial”, afirmou Muñoz.
Os dados também mostram impacto sobre os próprios agentes. Em 2025, 185 policiais morreram e 131 cometeram suicídio, segundo o Ministério da Justiça. “Polícias violentas e polícias corruptas fortalecem a ação do crime organizado”, afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao defender controle externo, investigações independentes e políticas baseadas em dados e inteligência.