Novo indicador revela que uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos está fora da escola em 16% das cidades brasileiras
O Brasil registra 876 municípios onde ao menos 10% das crianças de 4 e 5 anos não frequentam a escola, mesmo com a matrícula obrigatória por lei. O novo indicador de atendimento escolar municipal revela que as desigualdades regionais persistem em 2025. Na Região Norte, 29% das cidades atendem menos de 90% da população nessa faixa etária, o que representa o cenário mais crítico do país, enquanto o Sul apresenta o melhor desempenho com apenas 11% de municípios abaixo da meta.
A oferta de vagas em creches para bebês de até 3 anos também apresenta deficit em relação ao Plano Nacional de Educação. O levantamento indica que 81% das cidades brasileiras registram taxas de atendimento inferiores a 60%. Capitais como Macapá, Manaus e Porto Velho aparecem com os índices mais baixos de cobertura. Em contrapartida, São Paulo, Vitória, Curitiba e Belo Horizonte já alcançaram a universalização do atendimento para crianças de 4 e 5 anos.
As informações resultam de uma parceria entre o Iede e organizações do terceiro setor para auxiliar prefeituras na busca ativa de alunos. O diretor do instituto, Ernesto Martins Faria, afirma que dados municipais precisos permitem respostas rápidas às lacunas de acesso. Atualmente, o monitoramento oficial depende do Censo Demográfico decenal ou de amostras nacionais que nem sempre detalham a realidade de pequenas localidades.
O Ministério da Educação afirma que utiliza indicadores seguros e intensifica o apoio técnico aos municípios por meio de programas de infraestrutura. A pasta cita o Novo PAC como instrumento para a entrega de 886 unidades de ensino e a previsão de outras 1.684 creches. O governo federal destaca ainda o investimento de R$ 7,5 bilhões para a criação de novas vagas e a retomada de obras paralisadas para reduzir o deficit educacional no país.