País atinge menor taxa de assassinatos em onze anos, mas estudo alerta para subnotificação de dados
O levantamento oficial contabilizou 42.590 assassinatos no país, o equivalente a 20,1 mortes por 100 mil habitantes, menor patamar em onze anos. Os pesquisadores identificaram, contudo, a existência de 7.083 homicídios ocultos em decorrência do avanço de 88,6% nas mortes violentas por causa indeterminada. Com a correção estatística, o volume real estimado atinge 49.673 ocorrências, o que reduz a queda real anual para 0,4%.
Os indicadores revelam que a população negra concentra 77% das vítimas, com 32.820 registros e uma taxa de vitimização 170,3% superior à de não negros. No recorte de gênero, a vulnerabilidade das mulheres negras supera em 66,7% o índice do grupo não negro. A assimetria regional posiciona o Amapá com a maior taxa estimada, 47,1 casos por 100 mil, enquanto Santa Catarina registra o menor patamar, com 8,8.
A pesquisa aponta a interiorização e a concentração territorial da criminalidade urbana, onde apenas 99 municípios centralizam 50% das mortes violentas registradas. O município de Maranguape, no Ceará, lidera o ranking nacional entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, com taxa de 87,2. Entre as capitais brasileiras, Salvador apresenta o índice mais elevado, com 52,7 ocorrências por 100 mil moradores.
O relatório também documenta o crescimento de 212,7% nas notificações de violência contra homossexuais e bissexuais ao longo da última década. Os registros específicos direcionados a pessoas bissexuais apresentaram elevação de 781% na série histórica analisada. A coordenadora temática da pesquisa, Juliana Brandão, ressaltou que “a leitura territorial das taxas de homicídio evita uma análise abstrata da violência”.