País registra o menor nível de derrubadas sem uso de fogo desde 2001, segundo balanço do Global Forest Watch
O Brasil registrou a perda de 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas durante o ano de 2025. O dado representa um recuo de 42% na comparação com 2024, conforme balanço divulgado pela organização Global Forest Watch. A redução mais expressiva ocorreu em perdas não relacionadas a incêndios, como o corte raso e o desmatamento, que atingiram o patamar mais baixo desde o início da série histórica em 2001.
Estados como Amazonas, Mato Grosso e Acre lideraram a queda nos índices de destruição da vegetação primária. Segundo o World Resources Institute (WRI) Brasil, o resultado deriva de ações coordenadas entre governo e sociedade civil, além de incentivos fiscais para preservação. No cenário nacional, apenas o estado do Maranhão apresentou crescimento na perda de vegetação original, destoando da tendência de declínio observada nos demais biomas, incluindo a Caatinga.
A diretora executiva da WRI Brasil, Mirela Sandrini, associa o desempenho a estratégias de segurança climática e remuneração por serviços ambientais. “Considerando que o Brasil está no centro das soluções de grande escala para alimentos, energia e segurança climática, isso é muito importante”, afirma a gestora. O modelo de monitoramento utilizado engloba distúrbios naturais e mortes de árvores, o que amplia o escopo em relação aos sistemas oficiais focados exclusivamente em desmatamento.
No âmbito mundial, a perda de florestas tropicais caiu 35%, somando 4,3 milhões de hectares em 2025. Apesar da melhora nos trópicos, os pesquisadores alertam que o ritmo atual permanece 70% acima do necessário para cumprir as metas globais de preservação até 2030. A expansão agrícola e os incêndios florestais continuam como as principais causas de degradação, especialmente em países como Bolívia e República Democrática do Congo.