Calor extremo na gravidez aumenta riscos para mães e bebês, diz ONU

Redação Plenário

A ONU alertou que o calor extremo durante a gravidez está associado a partos prematuros, baixo peso ao nascer e complicações maternas. (Foto: ONU)

Pesquisa em cinco países aponta crescimento de complicações associadas às temperaturas e preocupação de profissionais de saúde com gestantes e recém-nascidos

O aumento das temperaturas representa um risco à saúde de gestantes e bebês, segundo alerta da Organização das Nações Unidas (ONU).

O secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, afirmou em 5 de outubro, durante uma reunião preparatória para a COP31, em Fiji, que a exposição ao calor extremo está associada a partos prematuros, natimortos, baixo peso ao nascer e complicações durante a gestação. Para ele, a gravidez e o parto passaram a integrar uma nova “linha de frente” da crise climática.

O alerta teve como base uma pesquisa encomendada pela organização Wellcome com mil profissionais de saúde da Austrália, Brasil, Índia, Reino Unido e Zimbábue. Entre os entrevistados, 73% relataram aumento de complicações relacionadas ao calor nos últimos cinco anos, enquanto 81% demonstraram preocupação com os riscos para mães, fetos e recém-nascidos. O levantamento também revelou que 98% dos profissionais atenderam gestantes e 99% prestaram cuidados a bebês cuja saúde consideraram afetada pelas temperaturas.

Simon Stiell afirmou que os efeitos das mudanças climáticas atingem de forma desigual as mulheres, sobretudo aquelas que trabalham ao ar livre, vivem em residências sem proteção contra o calor ou precisam percorrer distâncias até unidades de saúde.

A ausência de água, eletricidade e sistemas de refrigeração em hospitais também pode comprometer o atendimento. Ao abordar essas condições, o representante da ONU declarou que “manter a calma simplesmente não é uma opção quando não há nenhum lugar fresco para ir”.

Durante o encontro, Stiell pediu que os governos incluam a saúde de gestantes e recém-nascidos nos planos de adaptação às mudanças climáticas e nas estratégias de enfrentamento às ondas de calor.

O secretário citou o Acordo de Paris, que prevê a consideração das desigualdades de gênero nas políticas climáticas, e o Plano de Ação de Gênero de Belém, aprovado na COP30, realizada no Brasil em 2025. O documento estabelece medidas para ampliar a participação das mulheres nas decisões, no financiamento e nas ações de adaptação aos impactos climáticos.

plugins premium WordPress