Câmeras escondidas expõem rede que grava mulheres sem consentimento

Redação Plenário

O documentário reúne registros feitos por parceiros, desconhecidos e usuários que escondem câmeras em locais privados. (Foto: IA)

Documentário da BBC revela como imagens clandestinas circulam em fóruns e aplicativos criptografados.

Homens que gravam mulheres sem autorização e compartilham os vídeos em comunidades fechadas na internet estão no centro de uma investigação da BBC.

O documentário Hunting the Spycammers mostra como fóruns e grupos de bate-papo criptografados reúnem pessoas que trocam técnicas para instalar câmeras escondidas e divulgar imagens íntimas sem o conhecimento das vítimas.

A apresentadora Jess Davies participou da investigação ao lado do jornalista Liam Connell. Ela afirma que decidiu abordar o tema após descobrir que havia sido fotografada nua enquanto dormia e que as imagens circularam em um grupo privado de WhatsApp.

“É um ciclo sem fim de distribuição em massa de conteúdo não consensual de mulheres. Parece que essas mulheres são caçadas como se fossem presas”, afirma Davies.

Durante a apuração, as equipes identificaram câmeras ocultas instaladas em quartos, banheiros, vestiários e outros ambientes onde há expectativa de privacidade. Também encontraram equipamentos disfarçados em objetos comuns, como tomadas, canetas e odorizadores de ambiente.

“O que é realmente perturbador é a quantidade de perpetradores que filmam e compartilham conteúdo de pessoas (principalmente mulheres) que foram suas parceiras amadas”, diz a apresentadora.

No Reino Unido, a legislação considera crime gravações clandestinas em situações como voyeurismo ou quando há violação da privacidade.

No Brasil, o artigo 218-C do Código Penal prevê pena de um a cinco anos de prisão para quem divulgar imagens íntimas sem autorização da vítima. Organizações como Refuge e Welsh Women’s Aid defendem regras mais rígidas para dispositivos de vigilância, retirada rápida desse material das plataformas digitais e maior preparo das forças policiais para investigar esse tipo de violência.

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