Chatbots já influenciam o voto e pressionam regras eleitorais
Pesquisas indicam que eleitores recorrem a IA para decidir escolhas políticas, enquanto autoridades avaliam limites no Brasil
Estudos em diferentes países mostram que eleitores perguntam a chatbots como ChatGPT e Gemini em quem votar e, em parte, seguem as respostas. Levantamento na Holanda apontou disposição maior entre jovens, enquanto pesquisa no Chile indicou uso amplo das plataformas durante o pleito. Nos Estados Unidos, experimento do MIT observou deslocamentos mensuráveis de preferência após interações com modelos de IA, em patamar superior ao efeito médio de anúncios políticos recentes.
Os estudos também registraram falhas. Recomendações concentradas em poucos partidos e informações incorretas sobre posições programáticas apareceram com frequência. “Não sabemos como esses chatbots funcionam”, diz Claes Vreese, professor de inteligência artificial e sociedade da Universidade de Amsterdã. No teste do MIT, versões distintas do ChatGPT exibiram taxas diferentes de erro em temas políticos, o que reforçou alertas sobre o impacto em disputas equilibradas.
No Brasil, pesquisas indicam uso da IA para aprendizado, inclusive sobre política. Testes com chatbots nas eleições de 2026 mostraram abordagens distintas, da descrição de cenários à indicação direta de voto. A Justiça Eleitoral afirma ter instrumentos para enfrentar distorções digitais, mas conteúdos personalizados desafiam normas atuais. “Os chatbots hoje são lugares de confiança, como bares e igrejas”, diz Fabro Steibel, diretor-executivo do ITS Rio. “É parte do processo eleitoral agora”, afirma Claes Vreese, ao avaliar a incorporação dessas ferramentas ao cotidiano político.