Conferência da ONU aprova resoluções vinculantes e fortalece cooperação internacional para conservação ambiental
A conferência internacional em Campo Grande finalizou os debates com a inclusão de novas aves, peixes e mamíferos nos anexos de proteção da Convenção de Espécies Migratórias.
O Brasil obteve aprovação para seis das sete propostas enviadas, garantindo salvaguardas para animais como o peixe pintado e o maçarico-de-bico-torto. As decisões possuem caráter legalmente vinculante, o que obriga os 132 países participantes e a União Europeia a adotarem as medidas de conservação estabelecidas no documento final.
Os negociadores estabeleceram 16 novas ações de cooperação global, com destaque para o plano de conservação dos grandes bagres migratórios da Amazônia. O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, ressaltou que o avanço de 10% na proteção de espécies migrantes representa o maior número da história das conferências do setor. “Hoje a gente ainda tem 400 espécies no mundo que fazem migração e não estão em nenhuma lista”, pontuou o dirigente sobre o esforço gradual da instituição.
A escolha da capital sul-mato-grossense buscou reforçar a importância estratégica do Pantanal nas rotas de fauna silvestre e a necessidade de ações coordenadas entre as nações. O Itamaraty destacou que o sucesso do evento reafirma a política de multilateralismo para solucionar crises ambientais que ultrapassam fronteiras geográficas. “É necessário que todos os países por onde o animal passa atuem de maneira coordenada”, afirmou Patrick Luna, chefe da Divisão de Biodiversidade do Ministério das Relações Exteriores.