Impasse entre parlamentares e rejeição do texto oficial deixam comissão sem parecer após sete meses de investigação
A sessão de encerramento da CPMI do INSS resultou na rejeição do relatório oficial por 19 votos a 12, após 16 horas de debates na madrugada. O texto apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar sugeria o indiciamento de 216 pessoas, incluindo o filho do presidente da República e o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. A ausência de consenso e a negativa de prorrogação do prazo pelo Congresso Nacional impediram a construção de um diagnóstico comum sobre os desvios estimados em R$ 6,3 bilhões.
“Hoje ficou muito claro quem estava a favor da verdade da investigação e quem blindou aqueles que roubaram a Previdência”, afirmou o presidente do colegiado, senador Carlos Viana. O magistrado indeferiu pedidos para a leitura de um relatório alternativo que focava em nomes ligados à gestão anterior do Executivo federal. A disputa interna inviabilizou a oficialização das conclusões obtidas durante os sete meses de coleta de depoimentos e quebras de sigilo bancário.
As investigações apontaram falhas estruturais na validação de acordos de cooperação entre o instituto e entidades associativas para descontos em pensões. O relatório rejeitado detalhava a existência de núcleos criminosos articulados para a lavagem de dinheiro e a evasão de divisas por meio de empréstimos consignados não autorizados. Apesar do encerramento sem parecer, integrantes da comissão anunciaram que encaminharão as provas colhidas individualmente à Polícia Federal e ao Ministério Público.