Deputado de Rondônia acelera projeto que limita embargo remoto por desmatamento

Redação Plenário

Deputado Federal, Lúcio Mosquini (à esquerda), recebeu R$ 250 mil em doações de campanha do empresário e fazendeiro Sérgio Botelho Teixeira, alvo de uma multa de R$ 5,5 milhões aplicada pelo Ibama. Mosquini é autor de projeto que, segundo ambientalistas, fragiliza combate ao desmatamento. (Foto: Instagram pessoal)

Proposta proíbe punições ambientais baseadas exclusivamente em imagens de satélite

A Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o projeto de lei que proíbe órgãos ambientais de aplicarem embargos cautelares baseados apenas em imagens de satélite. A proposta atinge diretamente o monitoramento da Amazônia e do Cerrado, mecanismo utilizado para conter o avanço de áreas degradadas. O governo federal e especialistas afirmam que a medida compromete a eficiência da fiscalização e a redução das taxas de crimes ambientais.

O deputado Lúcio Mosquini (MDB-RO), autor do texto, recebeu R$ 250 mil em doações de campanha de um empresário multado em R$ 5,5 milhões pelo Ibama. O parlamentar nega que a proposta beneficie doadores específicos e defende a necessidade de assegurar o direito de defesa aos produtores rurais. Segundo Mosquini, “você não pode atropelar o devido processo legal às custas de ter um maior controle sobre o desmatamento”.

A bancada ruralista apoia a mudança sob o argumento de que os bloqueios remotos geram insegurança jurídica e impedem o acesso ao crédito rural. Já o Ministério Público Federal e o Observatório do Clima alertam que a restrição técnica inviabiliza o trabalho preventivo em áreas isoladas. Dados oficiais indicam que o embargo remoto alcança cerca de 70% das ações de fiscalização realizadas pelo Ibama na região amazônica.

O projeto segue agora para votação em plenário antes de ser encaminhado ao Senado Federal. Caso a lei entre em vigor, os fiscais precisarão de vistorias presenciais para oficializar a interrupção de atividades econômicas em propriedades com indícios de irregularidade. O governo monitora a tramitação e avalia os riscos para o cumprimento das metas internacionais de preservação ambiental assumidas pelo Brasil.

plugins premium WordPress