Dados são positivos no índice geral, mas renda e desigualdade limitam avanço nos estados da Amazônia.
Os dados do Radar Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) indicam um quadro de avanço, mas não permitem tratar Acre, Rondônia e os demais estados do Norte como casos de desempenho pleno.
A leitura correta é que os números são bons porque todos se mantêm na faixa de alto desenvolvimento humano em 2024, mas ainda mostram limites porque não chegam ao nível de muito alto desenvolvimento humano, onde o Brasil passou a figurar com IDHM de 0,805. O relatório informa que as faixas adotadas pelo Atlas classificam como alto desenvolvimento os índices de 0,700 a 0,799 e como muito alto os índices de 0,800 a 1.
Rondônia tem situação melhor que a do Acre no índice geral. O estado aparece com IDHM de 0,786 em 2024, perto do limite de 0,800, que marca a entrada no grupo de muito alto desenvolvimento humano. Isso significa que o resultado é positivo para a Região Norte, mas ainda insuficiente para colocar Rondônia no mesmo patamar de estados mais bem posicionados. O Acre, com IDHM de 0,754, também registra dado positivo por ficar na faixa alta, mas com distância maior em relação ao grupo superior.
A explicação está nas três bases do IDHM: longevidade, educação e renda. Na longevidade, os dados são favoráveis em 2024 porque todas as unidades da Federação alcançaram patamar de muito alto desenvolvimento humano nesse recorte. Ainda assim, Rondônia foi um dos estados que mais sofreram impacto na pandemia, com queda de 0,101 no IDHM Longevidade entre 2019 e 2021, embora tenha registrado recuperação de 0,091 até 2024. O Acre aparece em outra condição: entre 2019 e 2024, teve crescimento de 0,017 nessa dimensão.
O ponto mais frágil está na renda. O Radar IDHM mostra que a maioria dos estados do Norte e do Nordeste permaneceu na faixa média de desenvolvimento humano nessa dimensão. A renda, portanto, puxa o desempenho para baixo e impede uma avaliação apenas positiva dos resultados. Rondônia teve queda de 0,028 no IDHM Renda em 2021, uma das maiores perdas do país, mas recuperou 0,057 até 2024. Amapá, Pará e Tocantins também superaram os níveis de 2019 nesse indicador.
No recorte por desigualdade, há sinais distintos. Rondônia teve a menor diferença do país entre o IDHM da população branca e o da população negra em 2024, com distância de 0,042, o que é um dado favorável no comparativo nacional. O Acre, porém, aparece entre os estados com maior diferença no IDHM Educação entre brancos e negros, com distância de 0,078, ao lado do Rio Grande do Sul. O dado reforça que o avanço existe, mas não ocorre de forma igual entre os grupos sociais.
Como resume o relatório, “O desenvolvimento humano não é automático, nem linear. É resultado de escolhas coletivas.” A frase ajuda a entender os números: Acre e Rondônia não têm dados ruins no índice geral, mas também não apresentam quadro suficiente para acomodação. O resultado é melhor que o observado no período da pandemia, porém ainda revela renda baixa, diferenças internas e distância em relação aos estados que já chegaram ao nível de muito alto desenvolvimento humano.