Desigualdade de gênero prejudica segurança hídrica mundial

Redação Plenário

Organizações internacionais tentam definir política global de acesso à agua. (Foto: © José Cruz/Agência Brasil)

Relatório da ONU revela que exclusão feminina na gestão da água atrasa desenvolvimento sustentável e afeta bilhões de pessoas

A carência de saneamento e o acesso restrito a recursos hídricos sobrecarregam a população feminina em escala global. O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, publicado nesta quinta-feira (19), indica que mulheres operam a coleta de água em 70% dos lares rurais desassistidos. Essa dinâmica gera exposição a riscos físicos e vulnerabilidade social crônica.

O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, defende a participação feminina na governança como pilar essencial para o progresso social. Segundo o dirigente, o acesso igualitário ao recurso básico garante benefícios para toda a estrutura coletiva da sociedade. A entidade reforça a necessidade de intensificar proteções jurídicas e sociais para assegurar esse direito fundamental em diversos territórios.

O presidente da ONU-Água, Alvaro Lario, afirma ser “urgente o reconhecimento das soluções lideradas por mulheres no manejo dos bens comuns”. A ausência de representação em cargos de liderança e no financiamento do setor hídrico limita a eficácia das políticas públicas atuais. Dados do levantamento mostram que 2,1 bilhões de pessoas vivem sem água potável administrada de forma segura no planeta.

As barreiras na posse de terra dificultam o uso produtivo da água pela mão de obra feminina na agricultura. O estudo recomenda a eliminação de entraves institucionais e o investimento em dados estatísticos específicos para orientar novos investimentos. A valorização do trabalho não remunerado surge como estratégia para fortalecer a capacidade técnica e a liderança das mulheres na ciência hídrica.

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