MonitorA analisou publicações no X e identificou 660 imagens com ataques ou insultos a mulheres na disputa
O projeto MonitorA, observatório de violência política de gênero nas redes sociais, identificou indícios de uso de inteligência artificial em 25% das 660 imagens classificadas como ataques ou insultos contra candidatas no X.
Em outros 9%, a análise não permitiu determinar se houve manipulação pela tecnologia. A pesquisa examinou 11.137 imagens em 9.393 comentários nos perfis de 132 candidatas, entre 16 e 24 de agosto e de 2 a 11 de setembro.
Segundo os pesquisadores, a maioria desses conteúdos não busca convencer o público de que retrata acontecimentos reais, mas ridicularizar ou humilhar as mulheres. O material inclui charges, memes e peças que imitam propaganda de campanha.
“Esses usos de montagens e imagens sintéticas de baixa qualidade indicam que, nesses casos, não há necessariamente uma intenção de simular a realidade. A IA aparece, sobretudo, como mais uma ferramenta para a produção e disseminação de conteúdos ofensivos”, afirma o relatório do MonitorA.
Marina Silva (Rede) concentrou 125 registros de ataques e insultos, seguida por Sâmia Bomfim, com 111, e Erika Hilton, com 109, ambas do PSOL. O levantamento associou as ofensas a Marina à misoginia, à desumanização e ao preconceito por idade.
Nos casos de Sâmia e Erika, destacou, respectivamente, gordofobia e transfobia. Ao separar o conjunto por natureza da ofensa, os pesquisadores contabilizaram 269 insultos e 391 ataques baseados em características como gênero, raça, sexualidade e religião.
O estudo também registrou ofensas contra Julia Zanatta e Vanessa da Silva, ambas do PL. Zanatta recebeu 76 registros, dos quais 72 ocorreram no período de setembro, com sexualização e questionamentos sobre sua identidade política.
Vanessa, conhecida como Negona do Bolsonaro, foi alvo de 30 imagens; segundo a pesquisa, 70% continham racismo. Entre os 391 ataques do levantamento, a misoginia apareceu em 99 imagens, seguida por gordofobia, em 55, transfobia, em 46, desumanização, em 39, e racismo, em 27.