Estudo publicado na revista Science alerta para impacto de 1,4 milhão de hectares desmatados em dez anos
O encerramento da Moratória da Soja pode resultar no desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos. O dado consta em estudo publicado na revista Science por pesquisadores do WWF-Brasil, Greenpeace e universidades americanas. O volume de perda florestal projetado gera a emissão de 745 milhões de toneladas de gás carbônico.
O levantamento avalia que o acordo evitou a perda de 1,8 milhão de hectares de mata nos primeiros dez anos de aplicação. O analista do WWF-Brasil Tiago Reis defende a manutenção do compromisso. “A Moratória da Soja mostrou que é possível ampliar a produção agrícola mantendo critérios de conservação. O desafio agora é garantir que instrumentos capazes de reduzir o desmatamento continuem fazendo parte da estratégia brasileira de desenvolvimento”, afirma o especialista.
Os pesquisadores rebateram críticas sobre prejuízos econômicos e afirmam que existem 1,7 milhão de hectares já abertos e aptos para o cultivo na região. O estudo aponta ainda que o mecanismo não alterou os preços pagos aos produtores rurais. “Ao adotar compromissos de controle do desmatamento e de rastreabilidade, o setor contribui para proteger a floresta, preservar serviços ecossistêmicos essenciais para a própria agricultura e responder às crescentes demandas dos mercados nacionais e internacionais”, acrescenta Reis.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais deixou o acordo no início deste ano e o tema virou alvo de disputas judiciais. O Supremo Tribunal Federal marcou para o dia 12 de agosto o julgamento de ações que tratam da legalidade do pacto e de leis estaduais sobre incentivos fiscais.