Segunda edição do programa de dívidas foca em 20 milhões de brasileiros inadimplentes
O governo federal lançou a segunda edição do Desenrola Brasil para estimular a renegociação de R$ 58 bilhões em dívidas. O programa busca atender famílias pressionadas pela inadimplência, que atinge atualmente 29,6% dos lares brasileiros. A medida tenta conter o avanço do endividamento, que alcançou o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo em abril.
O cenário de inadimplência persiste mesmo com a taxa de desemprego em 6,1%, o menor patamar para o período segundo o IBGE. Especialistas apontam que o custo de vida elevado e os juros básicos em 15% ao ano limitam o alívio financeiro do crescimento da renda média. O economista Flávio Ataliba, do FGV Ibre, afirma que “é perfeitamente possível ter um mercado de trabalho aquecido e, ao mesmo tempo, famílias mais endividadas”.
O comprometimento do orçamento com itens essenciais, como alimentação e habitação, consome 41,8% da renda disponível dos cidadãos. O aumento nos preços de produtos básicos, como carnes e arroz, reduziu o poder de compra acumulado nos últimos anos. A economista Olívia Resende destaca que renegociar dívidas auxilia no curto prazo, mas a falta de educação financeira e o uso recorrente do cartão de crédito mantêm o ciclo de dependência.