Lula protocola pedido de quebra de sigilo e desafia Flávio Bolsonaro

Redação Plenário

Lula apresentou nesta terça-feira (20) ao TSE autorização para divulgar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares e empresas. (Foto: Agência Brasil)

Presidente protocola documento para divulgar dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos, desde que adversário aceite a mesma medida

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, protocolou nesta terça-feira (20) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos oito anos.

A medida também inclui familiares e empresas, mas está condicionada à concordância do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário no segundo turno das eleições presidenciais. Lula apresentou documento com o mesmo teor ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido encaminhado à Justiça Eleitoral foi distribuído ao ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do caso.

A autorização apresentada por Lula abrange a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, os filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio, além da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.

O documento exige que Flávio também autorize o acesso às informações do pai, Jair Bolsonaro, da mãe, Rogéria, dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, e da esposa, Fernanda. A proposta inclui empresas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou responsáveis por contas bancárias, com divulgação por meio do sistema DivulgaCandContas ou de outra plataforma pública.

Quebra de sigilo de Lula e Flávio Bolsonaro depende de autorização

A iniciativa ocorre após o debate presidencial promovido pela Band no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a permitir a divulgação dos dados financeiros e telefônicos. Nesta terça-feira, durante entrevista em São Luís, no Maranhão, o presidente voltou a cobrar uma resposta do adversário.

“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele”, declarou Lula. No debate, o senador afirmou não ter “absolutamente nada a esconder”, mas não confirmou se aceitaria a proposta.

Entre as empresas citadas no documento estão a Alcazar Holdings, ligada ao advogado Willer Tomaz, e sociedades empresariais relacionadas a Flávio Bolsonaro. O senador é investigado em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e em outra apuração sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, dedicado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio nega irregularidades. A defesa de Lula solicitou que os dados sejam divulgados antes de quarta-feira (21), mas o protocolo não representa a liberação imediata das informações, que depende dos procedimentos legais e da condição estabelecida na petição.

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