Mortes por câncer colorretal devem triplicar no Brasil até 2030

Redação Plenário

Polulação com câncer colorretal deve aumentar no Brasil. (Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Estudo publicado na revista The Lancet projeta 127 mil óbitos pela doença em cinco anos devido ao envelhecimento e hábitos nocivos

O Brasil registra uma escalada na mortalidade por câncer colorretal motivada pelo envelhecimento populacional e pela deterioração dos hábitos alimentares. A pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Marianna Cancela, explica que o consumo excessivo de produtos ultraprocessados e a inatividade física elevam a incidência da enfermidade. Segundo a especialista, o risco inicia precocemente na infância, o que resulta no surgimento de tumores em pacientes cada vez mais jovens.

A detecção da doença ocorre em estágios avançados para 65% dos pacientes brasileiros, fator que reduz drasticamente as chances de cura. Marianna Cancela afirma que a ausência de sintomas iniciais e as dificuldades de acesso à saúde em regiões remotas agravam o cenário nacional. “A gente vê o quanto o país está perdendo por não conseguir avançar na prevenção, no rastreamento e no tratamento”, explica a pesquisadora sobre a necessidade de políticas públicas eficazes.

Impacto econômico e desigualdades regionais

O estudo estima que as mortes pela doença causarão uma perda de produtividade equivalente a Int$ 22,6 bilhões entre 2001 e 2030. As regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores crescimentos relativos na mortalidade devido aos indicadores socioeconômicos e à infraestrutura hospitalar limitada. Embora o Sul e o Sudeste concentrem o maior volume de óbitos, o avanço do comportamento sedentário e do álcool pressiona os sistemas de saúde em todo o território.

Os pesquisadores defendem a implementação urgente de programas de rastreamento preventivo para identificar sinais de alerta antes da manifestação clínica. O padrão alimentar brasileiro, com redução de itens saudáveis, é apontado como o principal desafio para o controle de doenças crônicas não transmissíveis. A promoção de estilos de vida ativos e a melhoria do diagnóstico precoce são as estratégias primárias sugeridas para reverter a curva de letalidade projetada para os próximos anos.

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