Nova linhagem do H3N2 e aumento do vírus sincicial respiratório pressionam sistema de saúde no início do inverno
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) publicou alerta epidemiológico sobre o aumento de vírus respiratórios no Hemisfério Sul. O documento destaca a predominância da variante K do vírus Influenza A (H3N2), detectada no Brasil em dezembro de 2025. Embora a nova linhagem não apresente maior gravidade, autoridades sanitárias associam o subclado a períodos de transmissão mais extensos e picos de demanda hospitalar.
O monitoramento do Ministério da Saúde indica que 72% dos testes positivos para Influenza no país pertencem à variante K. A taxa de positividade do vírus subiu de 5% no primeiro trimestre para 7,4% no final de março. Paralelamente, o vírus sincicial respiratório (VSR) apresenta crescimento em todas as regiões brasileiras, com impacto direto na carga de doenças em crianças pequenas e grupos de risco.
O Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz, reforça o cenário de alerta em 24 unidades da federação. Dados coletados em abril mostram que o vírus Influenza A responde por 31,6% das infecções respiratórias graves nas últimas quatro semanas. O sistema público de saúde já notificou mais de 46 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no decorrer de 2026, com tendência de alta em 16 estados.
A Opas recomenda a intensificação das campanhas de vacinação para prevenir hospitalizações. A vacina oferecida no Brasil protege contra a cepa H3N2 e demonstrou 75% de eficácia contra casos graves em crianças no Hemisfério Norte. Especialistas orientam a manutenção de hábitos de higiene e o isolamento de pessoas com sintomas febris para conter a disseminação dos agentes infecciosos durante a temporada de inverno.