Papa critica “zelo pela guerra” e alerta para erosão da diplomacia
Leão XIV pede respeito à Venezuela e diz que força substitui diálogo nas relações internacionais
O Papa Leão XIV condenou o uso da força militar como instrumento diplomático em discurso anual de política externa no Vaticano, nesta sexta-feira (9). Diante de embaixadores de 184 países, afirmou que a fragilidade das organizações internacionais diante dos conflitos é motivo de preocupação e disse que o diálogo vem sendo trocado por imposições baseadas no poder. “A guerra está de volta à moda e o zelo pela guerra está se espalhando”, afirmou o papa.
Ao comentar a situação venezuelana após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o pontífice pediu que os governos “respeitem a vontade” do povo do país e protejam seus direitos humanos e civis. O episódio ocorreu por ordem do presidente Donald Trump, segundo relatos. Embaixadores dos EUA e da Venezuela acompanharam o discurso, o primeiro do pontificado iniciado após a morte do papa Francisco.
Em tom mais duro que o adotado nos primeiros meses, Leão XIV também criticou aborto, eutanásia e a prática de barriga de aluguel, além de alertar para o encolhimento da liberdade de expressão no Ocidente. “Está se desenvolvendo uma nova linguagem de estilo orwelliano que, em nome da inclusão, exclui quem não se conforma com certas ideologias”, disse Leão XIV, papa. O pontífice ainda mencionou o que chamou de discriminação religiosa sutil contra cristãos na Europa e nas Américas.