Operação Linceu apura suspeita de envio de documentos judiciais ao advogado Willer Tomaz, próximo ao senador Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta segunda-feira (19) um mandado de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de repassar decisões judiciais ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A medida integra a Operação Linceu, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção e lavagem de dinheiro. Pradera foi exonerado na sexta-feira (16), após o presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, determinar a abertura de uma apuração interna.
Segundo relatório da PF obtido pelo UOL, Pradera teria enviado ao advogado, em outubro de 2024, a fotografia de uma decisão da ministra Nancy Andrighi antes da assinatura. O documento tratava da disputa entre J&F e Paper Excellence pelo controle da Eldorado Celulose.
A imagem foi encaminhada no dia 24, quatro dias antes da assinatura e seis antes da publicação. As mensagens também apontam que Willer recebeu antecipadamente um parecer do Ministério Público Federal (MPF) relacionado ao mesmo processo. A investigação identificou ainda conversas sobre um pagamento de R$ 12,3 milhões a uma empresa ligada ao advogado.

Vazamento de decisões do STJ envolve suspeitas sobre pareceres do MPF
A investigação também cita o ex-subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares, suspeito de antecipar informações e discutir o conteúdo de pareceres com Willer Tomaz. A Polícia Federal identificou sete situações sob apuração, incluindo processos do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e uma disputa judicial por um terreno em Brasília, avaliada em R$ 176,4 milhões.
Em um dos casos, o escritório do advogado teria recebido uma minuta de decisão dois dias antes da assinatura. A PF também examina possíveis vínculos financeiros entre Tomaz e Flávio Bolsonaro, mas o mandado cumprido nesta segunda-feira não teve o senador como alvo.
Procurado pelo UOL, Humberto Fontoura Pradera afirmou que não tinha acesso a processos em andamento e que suas permissões no tribunal eram restritas. Willer Tomaz também negou irregularidades e declarou que “as insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da atividade profissional e configuram desinformação”.
Em nota, o STJ confirmou a exoneração e informou: “As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar”. O ex-subprocurador Antônio Carlos Simões Martins Soares não foi localizado pelo UOL. As suspeitas permanecem sob investigação, sem decisão judicial definitiva sobre os fatos relatados.