Investigação apura estrutura criada para obter dados sobre equipes, viaturas e ações da Polícia Federal e antecipar medidas contra alvos da Operação Ptolomeu
A Polícia Federal investiga a existência de uma estrutura criada para obter informações sobre agentes, viaturas e operações no Acre.
Segundo a PF, o objetivo do grupo seria antecipar ações policiais e adotar medidas para reduzir a efetividade de ordens judiciais contra investigados em fases anteriores da Operação Ptolomeu. A apuração resultou na Operação Umbra, deflagrada nesta semana.
Reportagem da TV Gazeta, publicada pelo site A Gazeta, aponta o ex-governador Gladson Cameli entre os investigados e afirma que ele seria indicado na apuração como chefe do grupo suspeito. Essa atribuição não consta da nota pública divulgada pela Polícia Federal, que não identifica os integrantes do suposto núcleo.
A PF confirmou, porém, que apura a possível participação de um ex-terceirizado e de um agente da própria instituição no repasse de informações sobre operações policiais.
A suspeita é de que informações sobre pessoas que entravam na Superintendência da PF em Rio Branco, movimentação de equipes, viaturas e deslocamentos fossem repassadas ao grupo. A investigação também apura se esses dados permitiriam aos alvos conhecer antecipadamente ações policiais.
A PF classifica a estrutura investigada como um núcleo de contrainteligência voltado a embaraçar as apurações relacionadas à Operação Ptolomeu.
A Operação Umbra ocorreu em paralelo à Ptolomeu IV, que apura suspeitas relacionadas a contratos para a construção da sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
As duas frentes cumpriram, juntas, 28 mandados de busca e apreensão no Acre, Paraná e Santa Catarina, por determinação do Superior Tribunal de Justiça. Cerca de R$ 1 milhão em dinheiro foi apreendido e três pessoas acabaram presas em flagrante por posse ilegal de armas, segundo a PF.
Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do STJ, em maio de 2026, a 25 anos e nove meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações em processo relacionado à Operação Ptolomeu.
A decisão também determinou multa e indenização de R$ 11,78 milhões ao Acre. A condenação é distinta das suspeitas investigadas agora na Operação Umbra.