Polícia Federal apura possível participação do senador em casa de apostas ligada ao empresário Willer Tomaz
A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou como sócio oculto da Best Bet, plataforma de apostas ligada ao empresário Willer Tomaz.
Segundo reportagem da revista piauí, publicada em 20 de outubro, documentos apontam que o parlamentar possuía acesso de “usuário máster” a uma conta da Alcazar Holdings no Santander. O cadastro permitia consultar movimentações financeiras, administrar permissões de acesso e autorizar operações bancárias. Tomaz também tinha esse nível de acesso.
A Alcazar foi constituída em 2023 na Ilha da Madeira, em Portugal, onde funciona a Cathedral Holdings, controladora da Best Bet. Conforme a piauí, as duas empresas possuem Willer Tomaz como sócio formal, Mateo Scudeler como administrador e o mesmo endereço em Funchal.
Registros contábeis obtidos pela revista apontam relações financeiras entre as companhias. Um auditor fiscal português consultado pela publicação afirmou, sob anonimato, que “É possível que a Cathedral tenha financiado a Alcazar, total ou parcialmente”.
Flávio Bolsonaro teve acesso bancário encerrado em maio de 2025
A Best Bet recebeu autorização da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) em maio de 2023 e passou a oferecer apostas em outras regiões do país. Em janeiro de 2025, o ministro André Mendonça, do STF, restringiu a atuação das empresas licenciadas pela Loterj ao território fluminense.
Quatro meses depois, em 22 de maio, uma funcionária de Willer Tomaz solicitou ao Santander a exclusão de Flávio Bolsonaro do cadastro de usuário máster da Alcazar. Segundo a piauí, o senador estava em Portugal com o empresário naquela data. A Best Bet encerrou suas atividades em meados de 2025.
Flávio Bolsonaro afirmou anteriormente ao UOL que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”. O empresário também negou as informações e declarou que a conta bancária “nunca lhe pertenceu” e que “jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma”.
Procurado pela piauí, o parlamentar não respondeu às perguntas sobre eventual participação na Best Bet. A investigação também examina movimentações financeiras e viagens entre os dois. Até o momento, as informações divulgadas não comprovam a existência de sociedade oculta, nem indicam denúncia ou condenação do senador nesse caso.