Defesa Civil instala sistemas de tratamento em comunidades do Baixo Madeira e prevê distribuição de 300 mil litros de água até o fim de outubro
A Prefeitura de Porto Velho ampliou as ações de abastecimento de água nas comunidades ribeirinhas atingidas pela estiagem do Rio Madeira. Por meio da Defesa Civil Municipal, o projeto Água Presente instalou sistemas de tratamento e filtros para atender famílias que enfrentam dificuldades de acesso à água para consumo.
Na comunidade de Firmeza, vinculada ao distrito de Calama, no Baixo Madeira, a instalação dos equipamentos reduziu a necessidade de deslocamento dos moradores em busca de abastecimento.
“Sou nascido e criado aqui no Baixo Madeira. Como ribeirinho, eu lembro que antes precisávamos nos deslocar para buscar água. Isso era um sonho nosso, porque tínhamos gastos para ir até o distrito de Calama, além de correr riscos na navegação por conta do nível do rio. Então, ter água dentro da comunidade ajuda muito mesmo”, relatou o morador Silmar Gomes.
O trabalho começou com a coleta de amostras de água em mais de 65 localidades, realizada pela Defesa Civil a partir de junho. Com base nos resultados, foram instalados quatro sistemas de tratamento doados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), enquanto outras nove comunidades receberam filtros PW-Tech. O planejamento também prevê a distribuição de 15 mil galões de 20 litros até o final de outubro, totalizando 300 mil litros de água. A entrega será direcionada às localidades que ainda não possuem equipamentos de tratamento, conforme os critérios de atendimento definidos pelo município.

Estiagem no Rio Madeira afeta abastecimento das comunidades
A redução do nível do Rio Madeira compromete a navegação, o transporte de alimentos e o acesso aos serviços de saúde nas comunidades do Alto, Médio e Baixo Madeira. A Prefeitura declarou situação de emergência por meio do Decreto Municipal nº 22.515/2026, após identificar dificuldades de captação e abastecimento em diferentes localidades.
Segundo o diretor executivo da Defesa Civil, Marcelo Duarte, a proposta busca garantir acesso à água durante os períodos de seca e cheia. “A Prefeitura, junto com a Defesa Civil, busca uma solução definitiva de assistência humanitária às famílias vulneráveis, para que elas tenham água potável durante todo o ano, seja na estiagem, seja na inundação”, destacou.
O prefeito Léo Moraes afirmou que a instalação dos sistemas faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência das comunidades em relação ao transporte de água por embarcações.
“Não queríamos apenas levar assistência. Nossa ideia é resolver o problema por completo e dar autonomia para essas famílias que dependem do rio para o sustento, além de trazer mais segurança e facilitar o acesso aos serviços básicos. Sabemos que a estiagem é uma realidade enfrentada todos os anos, e precisamos trabalhar para que essas pessoas tenham condições dignas de viver, independente do nível do rio”, declarou. A operação também envolve as secretarias municipais de Assistência Social, Infraestrutura e Saúde, com apoio logístico e acompanhamento das condições de abastecimento.