Quem pagou avião de Nikolas Ferreira para Rondônia?

Redação Plenário

Bruno Scheid, candidato ao senado RO; Nikolas Ferreira, candidato a deputado federal MG; Marcos Rogério, candidato ao governo RO; ambos do PL. (Foto: Assessoria)

Anac aponta Bradesco Leasing como proprietária registrada e Flynow como operadora; sócios da empresa também atuam no setor de investimentos

O avião de prefixo PR-MLR aparece em um vídeo apresentado como registro da chegada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a Ji-Paraná, neste domingo, 27 de setembro. A matrícula é legível na aeronave.

As imagens também exibem a identificação do aeroporto e uma legenda nas redes sociais que anuncia a chegada do parlamentar. Outro vídeo, com identificação da campanha de Bruno Scheid (PL), mostra um desembarque e uma recepção, mas não permite ler o prefixo nessa sequência. Os registros, portanto, não comprovam que todas as pessoas filmadas viajaram no mesmo voo.

Nikolas foi a Ji-Paraná a convite de Scheid, candidato ao Senado por Rondônia, para participar do ato “Fora Moraes”. Marcos Rogério (PL), candidato ao governo do estado, também esteve no evento.

O encontro reuniu manifestações de apoio às candidaturas e pedidos de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A presença do vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), candidato a deputado federal, integra os registros apresentados à reportagem, mas as imagens não estabelecem em qual aeronave ele chegou.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) desce da aeronave em Ji-Paraná, neste domingo, 27. Foi recepcionado por Bruno Scheid, candidato ao senado por Rondônia. (Foto: Reprodução)

De quem é a aeronave?

Uma consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro, registrada em 21 de agosto de 2026, identifica a Bradesco Leasing S.A. – Arrendamento Mercantil como proprietária do PR-MLR e a Flynow Táxi Aéreo Ltda., (CNPJ 46.299.254/0001-53), como operadora. 

O cadastro descreve um Learjet 60, fabricado em 2008, e aponta arrendamento mercantil e cessão de uso. A consulta tem data anterior à viagem e não identifica quem contratou ou pagou este voo.

A Flynow tem dois sócios, conforme cadastro empresarial atualizado com dados da Receita Federal: Cláudio Henrique do Vale Vieira, sócio-administrador, e Paulo Francisco do Vale Vieira, sócio. O capital social declarado é de R$ 15,17 milhões.

Esse valor pertence ao registro da empresa e não representa o patrimônio pessoal dos dois. O cadastro também não informa a parcela de cada sócio na empresa. Nenhum dos nomes é apresentado aqui na reportagem como proprietário da aeronave apenas por integrar a operadora.

Cláudio também consta como diretor de gestão da CVPAR Investimentos em formulário de referência publicado pela própria gestora. O endereço de correio eletrônico da CVPAR aparece no cadastro da Flynow. Esses registros documentam uma relação empresarial. Não demonstram contrato, doação eleitoral ou pagamento da viagem por Cláudio, Paulo ou pela gestora.

Imagem mostra prefixo da aeronave em vídeo do vereador por São Paulo, Lucas Pavanato, candidato a deputado federal. (Foto: Reprodução)

Investimentos nas eleições

As prestações de contas mostram quem financia as campanhas, mas ainda não esclarecem o custo do deslocamento. Scheid declarou R$ 1.125.641,24 em bens. Em atualização de 27 de setembro reproduzida a partir de dados do TSE, sua campanha havia arrecadado R$ 1.868.185 e contratado R$ 2.541.365,42 em despesas. 

Freddy Menegussi aparece com doações que somam R$ 1 milhão; Letícia Menegussi, com R$ 250 mil; e Carla Rosana de Freitas, com R$ 400 mil. Juntos, respondem por cerca de 88% da arrecadação informada naquele recorte. 

Marcos Rogério declarou R$ 2.376.169,92 em bens. Sua prestação de contas, no recorte consultado, registra R$ 3.802.000 em receitas, dos quais R$ 3.726.000 vieram da direção nacional do PL, com origem no Fundo Especial de Financiamento de Campanha. 

O mesmo levantamento apresenta R$ 4.062.246,08 em despesas contratadas e R$ 464.383,11 em despesas pagas. Há um lançamento de R$ 100 mil para a Rima Rio Madeira Aviação nas contas do candidato; o registro não vincula esse gasto ao mesmo avião que transportou Nikolas.

Nikolas declarou cerca de R$ 3,9 milhões em bens. Até 23 de setembro, sua campanha informava R$ 1.502.759 arrecadados e R$ 1.235.958 em gastos declarados, com predominância de doações de pessoas físicas. Sergio Augusto Guerra de Resende aparece como maior financiador individual, com R$ 300 mil. Pavanato declarou R$ 43.661,77 em bens. 

Até 25 de setembro, sua candidatura havia registrado R$ 2.913.211 em receitas e R$ 2.101.278 em gastos; R$ 2.760.000 das receitas vieram da direção nacional do PL. Os totais correspondem a datas diferentes e podem mudar durante a campanha.

Como eles aparecem na justiça?

O histórico judicial dos envolvidos exige a mesma precisão. Nikolas recebeu, em primeira instância, condenação civil para indenizar o PT em R$ 20 mil por uma publicação que associou o partido ao tráfico.

Pavanato recebeu condenação civil para indenizar em R$ 7.500 uma estudante após a divulgação de um vídeo; ele recorreu.

Em Rondônia, a Justiça Eleitoral proibiu a reexibição de uma propaganda de Marcos Rogério após identificar tempo destinado a apoiadores acima do limite aplicável.

Em 2020, o Ministério Público da Bahia pediu a abertura de inquérito sobre uma suspeita de descumprimento de isolamento por Cláudio Vieira. À época, a defesa negou que ele tivesse desrespeitado orientações médicas.

A apuração desta reportagem não localizou o desfecho do procedimento; o episódio tampouco tem relação demonstrada com a viagem de domingo. Nenhum desses episódios prova irregularidade no voo de Ji-Paraná.

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