Religiosos e pesquisadores relatam baixa representação nas campanhas e apontam o combate à intolerância entre as pautas do segmento
Praticantes, religiosos e pesquisadores ligados às religiões de matriz africana afirmam que o segmento recebe pouco espaço nas campanhas das eleições de 2026. Entre as pautas citadas estão representação política, liberdade religiosa e combate à intolerância.
O Censo 2022 do IBGE identificou crescimento do grupo formado por Umbanda, Candomblé e outras religiões afro-brasileiras em relação ao levantamento de 2010.
A advogada e umbandista Lívia dos Santos relaciona a baixa representação ao histórico de preconceito contra essas religiões. “É muito difícil a gente, que é de religião de matriz africana, se ver representado pelos políticos.” Para ela, a marginalização dessas práticas religiosas ainda interfere na forma como seus integrantes ocupam espaços públicos e políticos.
O pai de santo e pesquisador Leonardo Vieira, do Grupo de Pesquisas sobre Povos de Terreiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), também contesta a percepção de que essas comunidades teriam pouca organização política. “Essa organização política começa dentro dos terreiros nas suas relações comunitárias e coletivas de organização, economia, de saúde, de educação, de tecnologia, e que é uma forma de fazer política diferente.”
O debate também envolve casos de intolerância religiosa. A legislação brasileira pune condutas contra cultos e manifestações religiosas e também tipifica a prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito por religião. O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive relacionadas à liberdade religiosa, e mantém registros atualizados até 2026.