Dispositivo desenvolvido em São Paulo integrou a missão Artemis 2 para avaliar saúde biológica da tripulação
A startup paulista Condor Instruments forneceu a tecnologia responsável pelo monitoramento biológico dos astronautas na missão Artemis 2. O dispositivo, denominado actígrafo, possui o formato de um relógio de pulso e mapeia os ciclos de sono e vigília da tripulação. A confirmação oficial do uso do equipamento ocorreu pouco antes da espaçonave Orion cruzar os céus rumo à Lua no último dia 1º de abril.
O sensor monitora a frequência dos movimentos do braço para registrar o comportamento circadiano do usuário. No espaço, a ausência de referências naturais de claridade e escuridão desregula o relógio biológico humano, o que gera déficits cognitivos. O diferencial do produto brasileiro reside na integração de sensores de luz em diferentes faixas espectrais e na medição da temperatura corporal durante o repouso.
O desenvolvimento do aparelho contou com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fapesp e consultoria da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com o engenheiro Rodrigo Trevisan Okamoto, o dispositivo passou por testes rigorosos de segurança e confiabilidade para o voo. Atualmente, a empresa exporta 80% de sua produção para mais de 40 países e atende centros de pesquisa globais.
Os dados coletados durante a missão servirão para otimizar o design de futuras espaçonaves e garantir a sobrevivência em missões de longa duração. A agência espacial norte-americana utiliza as informações para entender como o isolamento e a radiação impactam a prontidão dos astronautas. A meta da empresa paulista foca agora na continuidade da parceria para as próximas etapas da campanha Artemis, que prevê o pouso lunar em 2028.