Uso de medicamento no esporte por Serena Williams abre debate sobre doping

Redação Plenário

O uso de tirzepatida por Serena Williams após seu retorno ao tênis trouxe ao esporte a discussão sobre os efeitos dos medicamentos GLP-1 no desempenho. (Foto: Agência Brasil)

Medicamentos para perda de peso não são proibidos, mas estão sob monitoramento da Agência Mundial Antidoping

O uso de tirzepatida por Serena Williams colocou os medicamentos GLP-1 no centro de uma discussão sobre doping no esporte. A tenista afirmou que recorreu à substância após enfrentar dificuldade para perder peso depois do nascimento do filho.

“O único adversário que não consegui vencer foi o peso”, declarou Serena Williams, tenista e embaixadora remunerada da empresa Ro, ao podcast de Oprah Winfrey.

Medicamentos dessa classe reduzem o apetite por meio da ação de hormônios ligados à saciedade. A tirzepatida, vendida sob as marcas Mounjaro e Zepbound, atua sobre GLP-1 e GIP. As substâncias não fazem parte da lista de produtos proibidos pela Agência Mundial Antidoping (Wada), mas permanecem sob monitoramento.

“O Programa de Monitoramento inclui substâncias que não estão na lista de proibições, mas que a Wada deseja acompanhar para detectar possíveis padrões de abuso no esporte”, declarou um porta-voz da Agência Mundial Antidoping à BBC.

Pesquisadores ainda não sabem se os medicamentos oferecem vantagem a atletas. Estudos apontam efeitos sobre inflamação, saúde metabólica e sistema cardiovascular, mas faltam pesquisas com esportistas de elite. “Até então, eu acho, precisamos simplesmente manter a neutralidade e dizer que não há dados que indiquem que eles promovam o desempenho dos atletas, mas a ausência de evidências não é evidência da ausência”, afirmou Daniel Drucker, endocrinologista da Universidade de Toronto e pesquisador ligado ao desenvolvimento dos medicamentos GLP-1.

O uso também levanta dúvidas por causa da perda de massa muscular e da redução do consumo de calorias, fatores que podem afetar força, recuperação e resistência. “O combustível é tudo para o desempenho e a sua escassez prejudica diretamente a adaptação ao treinamento, recuperação e o rendimento competitivo”, explicou Abbie Smith-Ryan, professora de fisiologia do exercício da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. A Wada mantém os GLP-1 fora da relação de substâncias proibidas enquanto acompanha dados sobre o uso no esporte.

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