Venezuelanos no Brasil acompanham crise com dor e apreensão
Migrantes relatam tristeza ao ver país em colapso e dividido
Produtores, professores e trabalhadores venezuelanos que vivem no Brasil relatam tristeza ao acompanhar a crise política e humanitária em seu país de origem. “É muito triste sentir que meu país vai virar uma colônia”, disse Benjamin Mast, produtor audiovisual radicado em Roraima, ao comentar a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. Para ele, a dor aumenta ao perceber que parte da população celebra a invasão, mesmo diante de bombardeios, violações de direitos e do esvaziamento da soberania nacional.
“Há muitas acusações contra Maduro, mas ser levado como um criminoso para outro país é muito forte”, afirmou Benjamin Mast, produtor audiovisual. Ele avalia que a combinação entre sanções internacionais e erros do governo de Nicolás Maduro agravou o colapso econômico e político, mas diz temer um vazio de poder e maior instabilidade com a intervenção externa, que, segundo ele, tende a beneficiar interesses econômicos estrangeiros.
“Me sinto profundamente triste, é uma dor que não consigo nomear”, disse Livia Esmeralda Vargas González, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Vivendo no Brasil desde 2016, ela relata angústia por acompanhar à distância a situação da família na Venezuela, marcada por escassez, medo e incerteza, e afirma que a invasão aprofunda traumas históricos e reforça a sensação de ruptura definitiva no cotidiano da população venezuelana.