Cientistas alertam que facilidade de transmissão e impacto nos hospitais definem o risco real de patógenos
A análise do perigo de um patógeno para a saúde pública depende da capacidade de disseminação e do impacto no sistema de atendimento, e não apenas da taxa de letalidade. Em 2026, cinco agentes infecciosos concentram a atenção de pesquisadores e autoridades sanitárias no Brasil e no mundo: ebola, hantavírus, influenza A, poliomielite e mpox. Cada organismo possui mecanismos de transmissão e níveis de presença territorial específicos.
O vírus influenza A representa a maior ameaça prática no território brasileiro devido à transmissão por vias respiratórias e à pressão sobre a rede hospitalar. A temporada atual registra aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em decorrência da circulação de uma cepa do subtipo H3N2 com menor resposta à vacina disponível. Paralelamente, os cientistas mantêm o monitoramento sobre o subtipo H5N1, que apresenta mutações constantes em aves e mamíferos.
Em relação ao ebola, o surto ativo na África Central ocorre pela variante Bundibugyo, que não possui tratamento específico ou imunizante homologado. O risco para o Brasil se restringe à chegada de viajantes infectados em período de incubação. De acordo com o infectologista Antônio Carlos Bandeira, “o manejo do vírus exige uma estrutura muito mais complexa do que o isolamento hospitalar convencional”. O especialista aponta a necessidade de leitos com pressão negativa e fluxo de descarte adequado para evitar a contaminação de profissionais.
As demais ameaças apresentam cenários distintos de controle e restrição no país. O hantavírus mantém letalidade alta, mas a transmissão no Brasil ocorre apenas pelo contato com excretas de roedores silvestres em áreas rurais. No caso da poliomielite, o risco de reintrodução é baixo, embora a queda na cobertura vacinal infantil preocupe as autoridades. Já o mpox registra circulação ativa por meio de contato físico próximo, com atenção vigilante à chegada da nova linhagem Clade Ib ao solo nacional.