Projeto nacional identifica transações bilionárias entre grandes grupos e fornecedores irregulares.
O Ministério Público do Trabalho detalhou que grandes corporações mantiveram transações comerciais com fornecedores flagrados em condições análogas à escravidão. O levantamento compõe a primeira fase do projeto “Reação em Cadeia” e abrange setores como agropecuária, construção civil e indústria têxtil. Os dados indicam que o montante comercializado entre as partes ultrapassa a cifra de R$ 48 bilhões.
Na Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª Região, que compreende os estados de Rondônia e Acre, o órgão ajuizou ações contra a Cargill Agrícola S.A. As investigações sugerem que falhas nos mecanismos de controle permitem a continuidade de violações como jornadas exaustivas e servidão por dívida. O procurador Ilan Fonseca de Souza afirmou que “parte dessas medidas de controle é meramente formal e não impede a ocorrência de violações ao longo das cadeias produtivas”.
A fiscalização identificou estratégias de substituição de nomes jurídicos para mascarar vínculos com grupos econômicos punidos, prática denominada internamente como “jogo dos CNPJs”. Desde o início das operações de resgate no Brasil, em 1995, mais de 65 mil pessoas foram retiradas de situações degradantes. A vice-procuradora-geral do Trabalho, Teresa Basteiro, defendeu que “a conscientização da sociedade sobre as práticas produtivas é fundamental para garantir a dignidade da pessoa humana”.
O Ministério Público do Trabalho mantém medidas judiciais e extrajudiciais para responsabilizar as companhias beneficiadas direta ou indiretamente pela exploração. O órgão busca assegurar que o valor social do trabalho prevaleça sobre os interesses comerciais das cadeias de suprimentos. O texto original não contém posicionamentos das empresas citadas ou menções a pedidos de direito de resposta sobre os processos em curso.