Hélio Luiz Fazoli responde por estelionato após forjar união estável para receber pensão
A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio dos bens e de valores em contas bancárias de Hélio Luiz Fazoli, vice-prefeito de Trajano de Moraes, município da Região Serrana.
A decisão atende a um pedido do Ministério Público estadual, que acusa o político de forjar um casamento com uma ex-procuradora do Estado, já falecida, para obter benefício previdenciário. O prejuízo estimado aos cofres públicos alcança a cifra de quase R$ 5 milhões.
As investigações apontam que Fazoli formalizou uma união estável com Ângela Marília de Moraes Peçanha, tia de sua ex-mulher, Adriana Canes Peçanha, dez meses após o divórcio do casal. A idosa tinha 83 anos na época e faleceu em 2017. A partir do óbito, o político passou a receber uma pensão mensal de aproximadamente R$ 50 mil do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores fluminenses.
A quebra do sigilo bancário revelou repasses financeiros mensais constantes do vice-prefeito para a ex-esposa. Diante dos indícios de fraude, o Judiciário suspendeu os pagamentos mensais e estendeu a indisponibilidade de patrimônio para Adriana, incluindo imóveis, veículos e investimentos. A promotoria denunciou a dupla pelos crimes de falsidade ideológica e estelionato qualificado contra a administração pública.
“Todo mês, o investigado transferia recursos para ex-esposa. Não seria uma pensão alimentícia. Parece mais uma combinação entre eles”, afirmou o promotor de Justiça Marcos Davidovich.
Em nota oficial, a defesa de Hélio Luiz Fazoli e de Adriana Canes Peçanha declarou que a acusação se baseia em narrativas políticas locais e que a inocência dos envolvidos restará provada ao longo do processo judicial.