Marcos Rocha sai de cima do muro e oficializa aliança com Fúria e grupo político de Lula 

Redação Plenário

Marcos Rocha, Adailton Fúria estão na mesma composição política do PT nacional, mesmo eles se dizendo de direita. (Foto: Divulgação - montagem)

PSD é comandado por Gilberto Kassab, terá R$ 421 milhões de Fundo Eleitoral e mantém alianças com a federação de Lula em dez estados

O governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSD), definiu seu lado na disputa pelo Governo do Estado e declarou apoio à candidatura de Adailton Fúria (PSD) rumo ao Palácio Rio Madeira. A decisão coloca os dois no mesmo projeto eleitoral no estado e fortalece a ligação com a direção nacional do partido, comandada por Gilberto Kassab.

Rocha preside o PSD em Rondônia e está terminando o segundo mandato de governador estadual. Fúria é o candidato da legenda ao Governo do Estado. O apoio ficou público durante a convenção estadual do partido, realizada em 1º de agosto, quando Rocha participou do ato que homologou a candidatura.

“Desejo todas as bênçãos, e que ele faça do seu jeito”, afirmou o governador durante o evento.

A aliança foi reafirmada nesta semana quando Rocha e Kassab se encontraram e gravaram um vídeo para redes sociais. “Com Fúria governador”, disse Marcos “ vamos conseguir fazer com que Rondônia avance cada vez mais”.

A composição em Rondônia chama atenção pelo cenário nacional do PSD. O partido de Rocha e Fúria mantém uma relação política próxima com o Partido dos Trabalhadores em diferentes estados, apesar de disputar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial. Por ser de direita, Rocha sempre evitou Lula e nunca compareceu nos eventos no Palácio do Planalto quando o presidente convidava os governadores do país. Na ultima visita do petista em Rondônia, Marcos enviou o vice, Sérgio Gonçalves para um evento público

Levantamentos sobre as alianças estaduais de 2026 mostram PSD e Federação Brasil da Esperança, (formada por PT, PCdoB e PV), juntos em chapas para governador em dez estados. Em parte deles, o PT apoia candidatos do PSD. Em outros, o PSD participa de alianças lideradas por petistas.

A relação não começou nesta eleição. O PSD também ocupou espaço no terceiro governo Lula. Na formação da administração federal, iniciada em 2023, nomes indicados pelo partido assumiram três ministérios: Agricultura, Pecuária, Minas e Energia e Pesca e Aquicultura.

Kassab adotou durante esse período uma estratégia de diálogo com diferentes campos políticos. Enquanto o PSD mantinha ministros no governo Lula, ele integrava o governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo.

Foi Kassab quem articulou a entrada de Marcos Rocha no PSD em 2026. Após deixar o União Brasil, Rocha se filiou à legenda e assumiu sua presidência em Rondônia. Adailton Fúria já estava no partido e consolidou sua candidatura ao Governo.

Com isso, Rocha e Fúria passaram a fazer parte da estrutura política nacional comandada por Kassab.O cenário, porém, tem uma contradição eleitoral. Embora o PSD seja um dos partidos de centro com maior número de alianças estaduais com o PT, Kassab disputa a eleição presidencial como candidato a vice de Ronaldo Caiado, adversário de Lula.

O próprio Kassab reconheceu durante a campanha a aproximação de setores do centro político com o presidente. Em agosto, afirmou que várias lideranças do centrão estavam com Lula e avaliou que esse movimento favoreceu o petista.

Isso não significa que Marcos Rocha ou Adailton Fúria tenham declarado apoio pessoal a Lula. Também não há, até agora, base para afirmar que a candidatura de Fúria tenha firmado uma aliança eleitoral formal com o PT em Rondônia.

Mas tudo isso tem um motivo: Marcos olha longe e não quer ficar de fora do governo Lula, se houver um quarto mandato do torneiro mecânico.

PSD terá R$ 421 milhões de Fundo Eleitoral

Além da estrutura política, o PSD chega às eleições de 2026 com uma das maiores parcelas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido terá R$ 421.008.404,89 para financiar campanhas em todo o país. O valor representa cerca de 8,5% dos R$ 4,96 bilhões disponíveis no Fundo Eleitoral deste ano.

O montante não é dividido igualmente entre os estados. A direção partidária estabelece os critérios para distribuir os recursos entre candidatos e campanhas, dentro das regras eleitorais.

Por isso, os R$ 421 milhões não representam o valor destinado a Fúria ou ao PSD de Rondônia. O tamanho da parcela reservada à campanha estadual dependerá da decisão do partido e das transferências registradas na prestação de contas.

Marcos Rocha e Adailton Fúria chegam, portanto, à disputa estadual respaldados pela estrutura do PSD comandado por Kassab. É uma legenda que, ao mesmo tempo em que enfrenta Lula na eleição presidencial com a chapa Caiado-Kassab, mantém uma extensa rede de alianças com o PT nas disputas estaduais.

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