Apesar de aprovação superar desaprovação, 44% dos eleitores defendem mudança total nos rumos do Governo de Rondônia
A pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25) revela um cenário contraditório para o governador Marcos Rocha (PSD). O governo é aprovado por 46% dos entrevistados e desaprovado por 34%. Outros 20% não souberam ou não responderam. Na avaliação da administração, 32% classificam o governo como positivo, 44% como regular e 17% como negativo.
Os números mudam quando a pesquisa pergunta sobre continuidade política. Para 45%, Marcos Rocha não merece eleger um sucessor, enquanto 38% defendem essa possibilidade. Outros 17% não responderam. Apenas 17% querem que o próximo governador continue o trabalho atual, enquanto 34% defendem mudanças pontuais e 44% querem uma mudança total nos rumos do estado.
O resultado mostra uma diferença entre aprovar uma administração e desejar sua continuidade. Marcos Rocha mantém saldo favorável na aprovação, mas isso não significa transferência automática de votos para um candidato associado ao governo. A soma dos que querem alguma mudança chega a 78%, dado que deve pesar na disputa pelo Palácio Rio Madeira.
A saúde aparece como principal problema de Rondônia para 37% dos entrevistados, seguida pela violência, com 13%, infraestrutura, com 9%, e corrupção, com 7%. O dado ajuda a explicar a pressão por mudanças: a eleição tende a cobrar dos candidatos respostas para problemas que o eleitor ainda identifica após quase oito anos da atual gestão.
ANÁLISE POLÍTICA
A Quaest entrega um recado incômodo para o grupo de Marcos Rocha: o governador é mais aprovado do que seu projeto de continuidade. Os 46% de aprovação são politicamente relevantes, mas os 44% que querem mudança total e os 45% que não defendem a eleição de um sucessor mostram dificuldade para transformar avaliação pessoal em herança eleitoral.
Para a oposição, o cenário abre uma avenida, mas não garante vitória. O eleitor não demonstra rejeição absoluta ao governo; demonstra cansaço com a continuidade. Isso favorece quem conseguir representar mudança sem depender apenas do discurso de ataque a Marcos Rocha.
A saúde é o ponto mais sensível. Quando 37% apontam o setor como principal problema, muito acima das demais áreas, a eleição ganha um tema concreto. Quem pretende suceder Marcos Rocha terá de explicar por que os problemas permanecem. Quem está na oposição terá de mostrar como pretende resolvê-los.
Politicamente, a pesquisa deixa uma síntese: Marcos Rocha conserva aprovação, mas não controla o desejo do eleitor para 2027. O governo chega à eleição com algum capital político; a continuidade, não.
A Quaest ouviu 804 pessoas entre 21 e 24 de agosto de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob os números RO-05711/2026 e BR-00490/2026.