Investigação da Polícia Federal com autoridades europeias identificou esquema de venda de ovos de espécies ameaçadas de extinção, com prisões na Espanha e no Brasil
Uma investigação da Polícia Federal, com apoio de autoridades europeias, revelou um esquema de tráfico internacional de ovos de aves brasileiras que teria movimentado R$ 90 milhões.
Segundo reportagem do Fantástico, exibida neste domingo (1º), o grupo atuava havia quase 20 anos e comercializava no exterior ovos de espécies ameaçadas de extinção por até R$ 6 mil cada. Os investigadores estimam que os suspeitos realizaram cerca de 120 viagens internacionais, com média de 20 ovos por deslocamento.
O caso começou a ser investigado após a detenção da suíça Erika Zumofen-Göllesz no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Ela tentava embarcar com 24 ovos de papagaio-de-cara-roxa e papagaio-charão escondidos junto ao corpo.
A análise de seu celular levou a PF até o suíço Hans Zehnder, proprietário de viveiros de aves, e à família de Marco Schwarz, em Curitiba. Os investigadores suspeitam que os ovos eram retirados de ninhos em áreas de conservação no Paraná e enviados ao mercado europeu.
Tráfico internacional de ovos de aves levou a prisões na Espanha
Com apoio das polícias da Suíça e da Espanha, agentes brasileiros acompanharam a viagem de Marco Schwarz à Europa. Ele e Hans Zehnder foram presos em um hotel na ilha de Gran Canária, onde as autoridades encontraram cerca de R$ 260 mil em euros e francos suíços. Os dois foram transferidos para Madri e aguardam o processo de extradição ao Brasil.
Em Curitiba, a PF também prendeu Rita Lydia Schwarz e Cláudia Fabiana Schwarz, mulher e filha de Marco, e apreendeu 61 animais empalhados e 130 partes de animais. A defesa de Cláudia informou que ela obteve liberdade provisória e ainda não teve acesso aos autos. Erika é considerada foragida.
A investigação também revelou perdas durante o transporte dos animais. Dos 24 ovos encontrados com Erika no Galeão, apenas nove filhotes nasceram. Em outras ocorrências, autoridades apreenderam 34 ovos em Foz do Iguaçu e 71 no Aeroporto de Guarulhos, com destinos que incluíam China e Vietnã.
Segundo a bióloga Fernanda Guida, do Zoológico de São Paulo, a retirada dos ovos e as condições de transporte comprometem o desenvolvimento dos embriões. Os filhotes sobreviventes recebem cuidados em instituições ambientais, onde passam por processos de recuperação e reprodução em cativeiro.


