Investigação aponta que Willer Tomaz tinha acesso antecipado a votos de ministros e pareceres do Ministério Público Federal
A Polícia Federal (PF) identificou suspeitas de vazamento de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pareceres do Ministério Público Federal (MPF) para o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo reportagem de Natália Portinari e Fabio Serapião, publicada pelo UOL neste sábado (17), o escritório teria recebido documentos antes da divulgação oficial e utilizado informações sobre resultados de julgamentos para definir sua atuação em processos judiciais. O STJ abriu uma investigação para apurar o caso.
Um dos suspeitos de fornecer os documentos é Antônio Carlos Simões Soares, ex-subprocurador-geral da República, aposentado em março deste ano. Conforme a investigação, ele teria antecipado informações sobre pareceres e participado da elaboração de manifestações conforme os interesses do advogado. A PF identificou sete situações sob suspeita. Outro possível envolvido é um funcionário do setor de informática do STJ. Soares chegou a ser considerado para o cargo de procurador-geral da República em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Willer Tomaz é investigado por acesso a documentos do STJ e MPF
Entre os casos analisados está uma disputa judicial por um terreno em Brasília, com valores discutidos de R$ 176,4 milhões. O escritório de Willer Tomaz teria recebido, em 16 de setembro, uma minuta de decisão do STJ que só foi assinada dois dias depois. A investigação também menciona um processo envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e a Editora Abril. Segundo a PF, a defesa teria conhecimento antecipado do resultado do julgamento antes de apresentar pedido de desistência de recurso.
Procurado pelo UOL, Willer Tomaz negou acesso irregular a decisões e pareceres, além de interferência nas manifestações do Ministério Público.
“Sua atuação profissional sempre observou a legislação e as prerrogativas profissionais da advocacia, pelos meios institucionais e processuais legítimos. As insinuações divulgadas são infundadas, distorcem o exercício regular da atividade profissional e configuram desinformação”, informou o advogado em nota.
Antônio Carlos Simões Soares não foi localizado pela reportagem. O material foi encaminhado ao MPF para análise da competência sobre a investigação do ex-subprocurador.